Sábado, 25 de julho de 2026

Tarifa dos Estados Unidos poupa petróleo, minério de ferro, café e mais de 2 mil produtos brasileiros

Os Estados Unidos divulgaram uma lista com 471 produtos brasileiros que ficarão isentos da nova sobretaxa de 12,5% imposta sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. A lista de exceções, divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), preserva parte significativa das exportações brasileiras para o mercado americano.

A sobretaxa entrou em vigor à 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington, e integra uma nova rodada de medidas comerciais que atinge cerca de 60 parceiros dos Estados Unidos.

Na avaliação do governo americano, países que não adotam mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado devem enfrentar uma tarifa maior, de 12,5%. Aqueles considerados mais alinhados às exigências americanas receberão uma alíquota de 10%.

Como funciona

A nova sobretaxa foi anunciada após uma investigação conduzida pelo governo estadunidense com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo o USTR, o Brasil integra o grupo de países que, na avaliação americana, não adotam mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Apesar disso, o governo dos EUA decidiu excluir centenas de produtos da medida.

Segundo o órgão, as isenções consideram fatores como a importância de determinados insumos para a economia americana, compromissos comerciais já existentes e características específicas de alguns mercados.

Produtos isentos

Entre os itens isentos da nova tarifa estão:

• Energia: petróleo bruto, derivados, gás natural, carvão e energia elétrica.
• Mineração: minério de ferro, cobre, manganês, níquel, nióbio, estanho, prata e outros minerais metálicos.
• Agronegócio: café, suco de laranja, cacau, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, bananas, mangas, mamão, mandioca e outras frutas e produtos tropicais.
• Carnes: carne bovina in natura, congelada ou processada e outros produtos de origem animal.
• Insumos agrícolas: fertilizantes, matérias-primas para defensivos e diversos produtos químicos industriais.
• Celulose e madeira: pasta de celulose, madeira e derivados.
• Tecnologia: computadores, componentes eletrônicos, semicondutores, equipamentos para fabricação de chips e parte dos smartphones e dispositivos de armazenamento.

Insumos estratégicos

A maior parte das exceções contempla matérias-primas, commodities e componentes industriais considerados essenciais para cadeias produtivas americanas.

Também foram preservados equipamentos ligados à indústria de semicondutores, setor tratado como estratégico por Washington desde a pandemia e intensificado pela disputa tecnológica com a China.

Especialistas avaliam que a ampla lista de isenções reduz significativamente o impacto potencial da nova tarifa sobre as exportações brasileiras, embora segmentos não contemplados pelas exceções possam enfrentar perda de competitividade no mercado americano.

A medida integra uma investigação conduzida pelo USTR, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam controles suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Brasília contesta a avaliação e estuda medidas para mitigar os efeitos das novas barreiras comerciais. (As informações são do g1, Veja e Agência Brasil)

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