Sexta-feira, 24 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de julho de 2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a nova taxa de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros foi uma forma do governo Donald Trump retomar “na marra” as “tarifas recíprocas”, derrubadas pela Suprema Corte daquele país. A nova alíquota entrou em vigor nessa sexta-feira (24), mesmo dia em que as antigas tarifas se encerram.
“Essa tarifa pega 99% das importações para os Estados Unidos (considerando todos os países), que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa. Nesse caso a todas as grandes economias do mundo, inclusive ao Brasil”, disse o ministro em entrevista à BandNews TV.
A sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e mais 59 países falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado – 54 foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. A decisão atinge 99,4% das importações americanas.
No caso brasileiro, a taxa de 12,5% deve se somar à tarifa de 25%, anunciada na semana passada sob o argumento de que o Brasil tem “práticas desleais” que prejudicam o comércio americano. Assim, parte dos produtores locais estarão sujeitos a uma sobretaxa de 37,5%.
Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as “tarifas recíprocas” impostas pelo republicano no ano passado.
“O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e tem déficit em relação aos EUA”, afirmou.
Durigan classificou a tarifa como “injustificada e unilateral”. Segundo o ministro, o Brasil realizou conversas com a administração de Trump, sempre com “boa-vontade”.
Ele afirmou que o governo vai continuar apoiando os empresários prejudicados, com linhas de crédito para capital de giro e investimentos, previsto no programa Brasil Soberano, além de insistir na continuidade das negociações com o governo americano.
Entenda
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entraram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington.
Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O governo americano adotou dois tipos de tarifas:
• Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%.
• Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% – caso do Brasil.
Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias.
Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada “irracional” e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. (As informações são do g1 e O Globo)