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Por Redação do Jornal O Sul | 20 de abril de 2023
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) apresentou nessa segunda-feira (17) os resultados de pesquisa que mapeou o perfil do turista estrangeiro a partir do Rio, uma das principais portas de entrada do país. O estudo “turistas estrangeiros no Estado do Rio de Janeiro: estadia, satisfação, comportamento no consumo e expectativas do tax free” revelou que a implantação do tax free aumentaria para R$ 2,1 bilhões a movimentação financeira de estrangeiros no país.
O tax free consiste na devolução, aos turistas estrangeiros, de impostos que incidem sobre a compra de produtos. No Brasil, a discussão envolve a restituição dos valores pagos a título de IPI, PIS/Pasep e Cofins, cabendo aos Estados decidirem sobre a restituição do ICMS.
Gasto médio de US$ 542,9
O levantamento, feito pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), ouviu 866 estrangeiros que desembarcaram no aeroporto internacional do Galeão entre os dias 7 e 14 de março e revelou que 60,5% deles fizeram compras na viagem. O gasto médio foi de US$ 542,9, o que representa uma movimentação anual de US$ 212,6 milhões, segundo a Fecomércio.
Os entrevistados foram perguntados se fariam mais compras caso o tax free fosse implementado no país. Entre os ouvidos, 46,2% afirmaram que sim. Entre esses, 33% disseram que gastariam até US$ 200 a mais; 30,3%, entre US$ 201 e US$ 500 a mais; 24,3%, entre US$ 501 e US$ 1.000 a mais; e 12,4% teriam um gasto adicional de mais de US$ 1.000.
Nos cálculos dos técnicos, portanto, o gasto médio por turista teria um incremento de US$ 665,5 com a adoção do tax free, o que representaria uma movimentação financeira anual de US$ 411,5 milhões, o equivalente a R$ 2,1 bilhões por ano.
Os estrangeiros também foram perguntados se já conheciam o tax free, e 46,7% disseram que sim, sendo que 50,7% deles já usaram o programa de reembolso em outras viagens.
Demanda antiga
A implementação do tax free é uma demanda antiga do setor turístico e está em discussão no Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur). A proposta também já foi apresentada pelo Estado do Rio ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários estaduais de Fazenda.
“Há um espírito muito positivo, mas o Confaz tem que deliberar, e cada Estado decidir por si ou se coligarem. É uma questão jurídico tributária complexa”, reconheceu o consultor da presidência da Fecomércio-RJ, o ex-deputado federal Otavio Leite.
Leite também defendeu que o tax free deve ser implementado em paralelo à reforma tributária em discussão no governo e no Congresso Nacional.
“É preciso compreender que a reforma tributária implicará numa transição de 6, 7 anos até vigorar por completo. Essa proposta requer uma decisão imediata para que o Brasil tenha possibilidade de atrair mais turistas para comprarem dentro do Brasil. Essa bandeira não deve se misturar com a reforma tributária, mas caminhar paralelamente”, disse.
Momento correto
Representando o ministério do Turismo, chefiado pela fluminense Daniela Carneiro, o secretário-executivo da pasta, Bento Nunes, considera que é o momento “correto” para convencer o trade turístico e as entidades governamentais sobre a necessidade de isentar as compras de impostos.
“Existe uma salada tributária no país, mas nada que possa impedir um avanço nesse sentido. Acho que é o momento correto. É o momento que o governo vai discutir uma reforma tributária, e a gente pode, em paralelo, conversar com o trade turístico e falar sobre o tax free. Pode ser o momento de convencer não só o trade, mas as entidades governamentais
O que mais diz a pesquisa
A pesquisa da Fecomércio-RJ revelou ainda que o tempo médio de permanência no Estado do Rio é de dez dias e que 48,9% dos estrangeiros ficaram entre oito e 30 dias no Estado. Também aponta que 83,4% viajaram a lazer ou passeio; 11,3%, a negócios ou trabalho; e 5,3%, por outros motivos.
Os hotéis foram os meios de hospedagem mais procurados (64%), seguidos por pousadas (20,7%) e imóveis alugados por plataformas digitais (17,7%). Os imóveis de familiares e hostels representaram 6,8% e 5,4%, respectivamente.
Sobre satisfação
Ao fim da viagem, o índice de satisfação com o Estado terminou com média 9 – numa escala de zero a dez –, com nota acima de 8 para 89,2% dos entrevistados.
Em relação às compras, 74,5% afirmaram que o Rio não é um destino caro para compras. Os itens mais consumidos foram roupas (64,1%), alimentos e bebidas para consumo no país de origem (37,2%) e calçados (25,4%). Os principais fatores que levam os estrangeiros a comprar os produtos no Rio foram a memória da viagem (55,9%), os preços menores que em seus países de origem (31,5%) e a qualidade (26,1%).