Domingo, 23 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu neste domingo (23) ao anúncio de tarifas retaliatórias feito pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países.
“O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem sê-lo!”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, sua rede social.
“Além disso, durante muitos anos, eles impuseram tarifas enormes aos nossos magníficos agricultores. Isso acabou!”, acrescentou o republicano.
Carney afirmou no sábado (22) que as novas tarifas canadenses entrarão em vigor em 8 de setembro e afetarão principalmente as indústrias americanas de aço e laticínios. Também no sábado, passaram a valer novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses, o equivalente a 5,5% das exportações do Canadá destinadas ao mercado americano.
Mark Carney classificou a proposta dos Estados Unidos como “um acordo ruim” e disse que o Canadá estava “em guerra” com os Estados Unidos.
“Reconhecemos desde o início que os Estados Unidos mudaram”, disse ele em um discurso aos canadenses neste sábado, 22. “Reconhecemos que, às vezes, sua assinatura é feita a lápis.”
“Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não vamos dar o que eles pediram”, acrescentou. “Não estávamos dispostos a comprometer a soberania do Canadá ou enfraquecer nossas principais indústrias.”
Em um discurso contundente, de 22 minutos, que deixou claro para canadenses — e americanos — exatamente qual é sua posição, Carney disse que o Canadá estava sob ataque por causa das tarifas punitivas impostas pelo presidente Donald Trump.
“Você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados”, disse Carney.
Mas, ao contrário de seu discurso eletrizante em Davos, no qual falou sobre uma ruptura na ordem mundial, Carney nomeou explicitamente os Estados Unidos como agressor e ameaça ao Canadá e à economia global.
Dólar por dólar
As tarifas americanas mais recentes, disse ele, “foram desenhadas para nos prejudicar e nos dividir. Elas são um erro de cálculo porque os canadenses sempre cuidarão uns dos outros. Sabemos que somos mais fortes juntos”.
Na noite de sexta-feira, Carney atribuiu o colapso das negociações a demandas de última hora não especificadas, dizendo que elas eram “injustas, antieconômicas e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo”. Minutos depois, os Estados Unidos avançaram com os planos anteriores e introduziram tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses exportados.
Carney prometeu imediatamente que o Canadá retaliaria “dólar por dólar”. Neste sábado, ele disse que os negociadores americanos “pediram demais e ofereceram de menos”. Entre outras coisas, Carney afirmou que os negociadores dos EUA pressionaram para que o Canadá recuasse de seus esforços para promover conteúdo em canadense e francês nos serviços de streaming online, subsídios para setores como publicação e produção cinematográfica e até a obrigatoriedade de rótulos em francês, idioma oficial do Canadá, assim como em inglês, nas embalagens.
“Estávamos perto de chegar a um acordo abrangente com os Estados Unidos, mas eles fizeram mudanças, incluindo ameaças à língua e à cultura francesas e à cultura canadense, que nunca seriam aceitáveis por esse motivo”, disse Carney em francês. “Isso marcou o fim dessa etapa das negociações.”
Carney acrescentou que os Estados Unidos queriam que o Canadá alinhasse suas políticas comerciais em relação a outros países às tarifas americanas, algo que ele classificou como “uma demonstração de poder” e “uma questão de soberania”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)