Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Ultraconservador e linha-dura: quem é o presidente do Irã que sofreu acidente de helicóptero

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, estava em um helicóptero que sofreu um acidente próximo a Jolfa, na fronteira do país do Azerbaijão, neste domingo (19), há muito tempo é uma figura proeminente no país. Como presidente, ele supervisiona todo o trabalho do governo e é a segunda pessoa mais poderosa na estrutura política do Irã, depois do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, do qual é apontado como protegido e possível sucessor para sua posição na teocracia xiita do país. Ele é visto como um político linha-dura e ultraconservador.

Raisi, de 63 anos, é um clérigo religioso linha-dura que foi eleito presidente do Irã em 2021. Em seu mandato como presidente, ele supervisionou uma estratégia para expandir a influência regional de seu país – apoiando militantes por procuração em todo o Oriente Médio, acelerando o programa nuclear do país e levando o país à beira da guerra com Israel.

No entanto, no mesmo período, o Irã passou por seus maiores protestos contra o governo em décadas e por uma grave desaceleração econômica causada por sanções internacionais e alto índice de desemprego.

Duas eleições

Em 2017, ele concorreu sem sucesso à presidência do país contra Hassan Rouhani, um clérigo relativamente moderado que, como presidente, chegou ao acordo nuclear de Teerã em 2015 com as potências mundiais.

Em 2021, Raisi concorreu novamente em uma eleição em que todos os seus adversários potencialmente proeminentes foram impedidos de concorrer pelo sistema de verificação do país. Ele obteve quase 62% dos 28,9 milhões de votos, no menor comparecimento às urnas na história da República Islâmica. Milhões de pessoas ficaram em casa e outras anularam suas cédulas.

Guerra com o Iraque

Em 1988, execuções em massa aconteceram no Irã, com estimava de cerca de 5 mil mortes, de acordo com grupos internacionais de direitos humanos. Falsos julgamentos de prisioneiros políticos – conhecidas como comissões da morte – aconteceram no país, no final da guerra entre Irã e Iraque. Raisi participou das comissões.

Depois que Khomeini aceitou um cessar-fogo mediado pela ONU, os membros do grupo de oposição iraniano Mujahedeen-e-Khalq, fortemente armados por Saddam Hussein, atravessaram a fronteira iraniana do Iraque em um ataque surpresa. O Irã neutralizou o ataque.

Os julgamentos começaram por volta dessa época, quando os réus foram solicitados a se identificar. Aqueles que responderam “mujahedeen” foram enviados para a morte, enquanto outros foram questionados sobre sua disposição de “limpar campos minados para o exército da República Islâmica”, de acordo com um relatório da Anistia Internacional de 1990.

Em 2019, o Tesouro dos EUA sancionou Raisi “por sua supervisão administrativa sobre as execuções de indivíduos que eram jovens na época do crime e a tortura e outros tratamentos ou punições cruéis, desumanos ou degradantes de prisioneiros no Irã, incluindo amputações”.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Colômbia anuncia prisão de líder financeiro do maior cartel de drogas do país
Espanha chama para consultas embaixadora na Argentina e exige desculpas de Javier Milei
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play