Segunda-feira, 20 de maio de 2024

Um eclipse solar no Brasil ratificou Einstein e ajudou a criar o Google Maps

Albert Einstein mudou a compreensão humana sobre os conceitos de espaço e tempo. Mas, antes disso, o cientista precisou de um fenômeno da natureza que pudesse ser observado para demonstrar a relatividade do espaço e tempo. Sendo assim, em 1919, o eclipse foi o fenômeno escolhido e o experimento foi feito em Sobral, no Ceará, e na ilha do Príncipe, na África.

Segundo a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, a gravidade dos corpos com muita massa, como o Sol, pode realizar a curvatura da luz que passa por ele (deflação da luz). Desse modo, Einstein precisava fotografar as estrelas que estavam próximas do Sol e registrar suas posições aparentes durante o eclipse.

Assim, seria possível analisar se suas posições aparentes foram deslocadas devido à curvatura da luz devido à gravidade do Sol. Sendo assim, um eclipse seria perfeito, pois permitiria a observação da posição das estrelas em torno do Sol, visto que a Lua encobre aparentemente o Sol, escurecendo o dia.

Segundo Jamilton Rodrigues, professor de Física da Universidade Estadual da Paraíba (UFPB), a curvatura do espaço é afetada pela matéria/energia, sendo necessário observar uma grande massa para aferir essa curvatura.

“Em um eclipse conseguimos observar as adjacências de um objeto bastante massivo: o Sol. Foi essa proposta que trouxe a comunidade para observar eclipses na tentativa de confirmar o efeito da curvatura da trajetória da luz prevista pela Teoria da Relatividade Geral”, explica.

Dessa forma, em 1919, o cientista modificou o conceito de espaço, tempo e gravidade estabelecidos por Isaac Newton, delimitando que todas as Leis da Física sejam idênticas para referências inerciais e que a velocidade da luz seja uma constante universal.

“Os resultados das expedições a Sobral e Príncipe (na África Ocidental) podem deixar poucas dúvidas de que a deflexão da luz acontece nas redondezas do Sol e que é pela quantidade demandada pela teoria da relatividade generalizada de Einstein, atribuída ao campo gravitacional do Sol”, destacou a Royal Society no 6 de novembro de 1919, em Londres.

“Comparando estas novas posições aparentes das estrelas com suas posições reais, Einstein conseguiu confirmar uma das previsões de sua teoria da relatividade geral, mostrando importantes evidências observacionais de sua teoria”, diz Leandro Donizete Moraes, doutor em física e criador do canal Astronomia Observacional.

Teoria na vida realizada

Hoje em dia, a teoria de Einstein é utilizada pelo Google Maps que se baseia na localização e no tempo durante o sistema de navegação conhecido como GPS. Em resumo: como o tempo passa um pouco diferente para objetos em movimento e campos gravitacionais diferentes, existe uma distinção entre o tempo nos satélites GPS que giram em torno da Terra e aqui na superfície.

“A velocidade dos satélites é muito alta e estão em um campo gravitacional muito mais fraco do que o que temos na superfície terrestre. Por isso, é preciso que os cientistas e engenheiros compensem esta diferença, ajustando o tempo e localização constantemente”, destaca Moraes.

Para calcular a diferença, os cientistas consideram a dilatação do tempo causada pela velocidade dos satélites relacionada com a dilatação provocada pelo campo gravitacional terrestre.

“Os ajustes são muito importantes para a precisão de informações destes aplicativos que dependem do GPS”, acrescenta o físico.

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