Domingo, 12 de julho de 2026

Um em cada três trabalhadores no Brasil usam todos os 30 dias de férias a que têm direito

Muitos trabalhadores não utilizam integralmente o período de descanso garantido por lei no Brasil. Apenas 33% aproveitam todos os 30 dias de férias a que têm direito — ou seja, somente 1 a cada 3 funcionários. A mediana de dias efetivamente utilizados é de 20 dias, mesmo a legislação assegurando 30.

O levantamento da Deel, plataforma global de RH e folha de pagamento, em parceria com a Andreessen Horowitz, foi feito a partir de registros reais de solicitações de férias e licenças envolvendo mais de 1,5 milhão de trabalhadores em 150 países. No Brasil, foram analisadas 993 solicitações de férias em empresas, principalmente dos setores de tecnologia, startups e organizações com modelo de trabalho remoto ou híbrido.

Com 30 dias de férias anuais assegurados pela legislação, o Brasil tem a segunda maior concessão entre os países analisados, atrás apenas da França, onde a média é de 34 dias. No entanto, o aproveitamento do benefício é menor: enquanto os brasileiros utilizam 72% dos dias disponíveis, os franceses chegam a 88%.

A diferença chama atenção porque os dois países possuem políticas consideradas amplas de descanso. Mesmo com uma quantidade semelhante de dias garantidos, o Brasil registra um índice de utilização 16 pontos percentuais inferior ao francês. Embora parte dos profissionais não utilize todos os dias disponíveis, o Brasil se destaca pelo tamanho dos períodos de descanso. De acordo com a pesquisa, 62% dos trabalhadores brasileiros tiram ao menos um período de 11 dias consecutivos ou mais de férias por ano – um dos maiores índices da amostra global.

O percentual supera o registrado em países conhecidos por políticas voltadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como Suécia (55%) e Dinamarca (51%). O levantamento também identificou uma diferença relevante no uso de licenças médicas entre homens e mulheres no Brasil. Durante o período analisado, 41% das trabalhadoras registraram ao menos uma licença médica, contra 21% dos homens, uma diferença de 20 pontos percentuais.

O maior índice aparece entre mulheres de 35 a 39 anos: 54% delas tiveram pelo menos uma licença médica registrada no período, tornando esse o grupo com maior frequência de afastamentos em toda a amostra brasileira. Outro comportamento identificado pela pesquisa é o baixo uso de férias em períodos menores, como meio dia de afastamento. No Brasil, apenas 3% das solicitações analisadas corresponderam a esse formato, percentual bem inferior ao observado em países como França (11,5%), Reino Unido (11,3%) e Alemanha (9,4%).

Enquanto nesses mercados a flexibilização da jornada já faz parte da cultura de trabalho, no Brasil ainda predomina um modelo mais tradicional, o profissional está trabalhando ou está oficialmente afastado. (Com informações do portal de notícias g1)

 

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