Domingo, 26 de abril de 2026

Voto virtual torna prédio da Câmara quase obsoleto

Sob a presidência Hugo Motta (Rep-PB), a Câmara dos Deputados consolidou o modelo de gestão das emendas parlamentares como instrumento de poder e disciplina partidária. Implantou-se a “coleira virtual”, no dizer de um deputado, em que se usa tecnologias avançadas para reforçar práticas políticas arcaicas, e como ferramenta de mando. A liberação das emendas obedece a uma matemática implacável: cada voto alinhado à orientação do Líder da bancada rende uma fatia do bolo.

Tudo sob controle
Liberar ou reter recursos para controlar votações não é coerção explícita, é um mecanismo silencioso, mensurável e, por isso, ainda mais eficaz.

Voto home office
Leis são aprovadas pelo celular até em sessões remotas, muitas vezes na calada da noite ou às vésperas de recesso, com plenário vazio.

Motta no nirvana
Onde o plenário se esvazia e os debates se tornam relíquia, resta um legislativo domesticado. Um modelo que é o nirvana para quem manda.

A pão e água
O parlamentar que diverge, que se ausenta ou que vota contra a “orientação do partido” simplesmente vê o fluxo de verbas secar.

Jair Bolsonaro completa um mês de domiciliar
A partir deste domingo (26), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa um mês de “prisão domiciliar humanitária”. Agora faltam 60 dias no prazo concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes até que a condição seja reavaliada. O objetivo da domiciliar, diz a decisão, é a recuperação do ex-presidente do quadro de broncopneumonia, mas destaca que haverá “reavaliação periódica”.

Tempo voa
A domiciliar por prazo de 90 dias começou em 27 de março e vai até 25 de junho. Se não for renovada, Bolsonaro volta à prisão da Papudinha

Outras consequências
Bolsonaro também está proibido de usar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação, direta ou indiretamente, ou por meio de terceiros.

Avaliação
Com problemas de saúde crônicos, “não há como fazer [a domiciliar temporária] funcionar”, avalia o deputado e médico Osmar Terra (PL-RS).

Legislação ignorada
Este ano ainda teremos presos provisórios votando nas eleições, foi o que decidiu o Tribunal Superior Eleitoral. A decisão do TSE contraria o que foi aprovado pela Lei Antifacção, sancionada em fevereiro.

Reforma genérica
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) não leva muita fé na “reforma do judiciário” proposta pelo ministro Flávio Dino, “sem dizer como, sem foco no STF e ignorando o principal: transparência e ética na própria Corte.”

Nesta segunda
Maior feira de agronegócios do Brasil, a Agrishow será o cenário da primeira aparição pública da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep).

Indicação arrastada
Caminha para o fim a novela da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina e votação no Senado está marcada para quarta-feira (29).

Método
Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), a indicação de Jorge Messias ao STF é um alerta à democracia. “Quem filtrou críticas e censurou adversários do governo Lula não pode ser uma indicação aceitável”.

Suspeita
Segundo Bia Kicis (PL-DF), há “fortes suspeitas” de que o delegado da PF que agiu contra Alexandre Ramagem nos EUA tem ligação com o caso Filipe Martins, assessor de Bolsonaro cuja entrada naquele país, que não aconteceu, justificou sua prisão e condenação por “golpe”.

É problema
Valdemar Costa Neto disse que a proibição de visitação ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa um problema para o PL, e tem sido a origem de diversos desentendimentos dentro do principal partido de oposição.

E o gabinete?
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reagiu à informação desta coluna que aponta gastos de quase R$7 milhões do governo Lula com propaganda no Facebook e Instagram, em apenas 30 dias: “Deve ser o tal ‘gabinete do ódio’ que falam”.

Pensando bem…
…“reforma” do Judiciário sem incluir o STF não é reforma, é maquiagem.

PODER SEM PUDOR
Poliglota para que te quero
Tancredo Neves se preparava para disputar a Presidência da República, no Colégio Eleitoral, quando o deputado Milton Reis (MG) o procurou para pedir a nomeação de um jovem talentoso para o comitê. “Ele é muito preparado, esforçado, conhece bem a política…”, dizia, enquanto Tancredo mordia a ponta da gravata. “Vai ajudar muito, fala sete línguas”. “Sobre o quê?” interrompeu Tancredo, soltando a gravata da boca. O deputado não entendeu a pergunta e o candidato explicou: “Tem um porteiro lá do Hotel Normandy que fala muito bem onze línguas. Mas só sabe falar sobre hospedagem…”

Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos
Instagram: @diariodopoder

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