O governo gaúcho desmente que a venda do Banrisul integra o plano de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal

O governo do Rio Grande do Sul desmentiu, nesta quarta-feira (3), o boato de que a venda ou federalização do Banrisul faz parte do pré-acordo para adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. A notícia é falsa e eleitoreira.

“A venda do Banrisul nunca fez parte das negociações para a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. Ao contrário, a indicação de uma equipe técnica para comandar o Banrisul foi a maior demonstração de respeito ao banco público dos gaúchos, que nesta gestão teve o melhor resultado de sua história: um lucro líquido de R$ 1,05 bilhão”, afirma o governador em exercício, José Paulo Cairoli, que comanda as negociações de adesão ao RRF com a União em Brasília.

Para o governador em exercício, a divulgação desse tipo de notícia falsa às vésperas das eleições é uma “atitude oportunista, que serve apenas para criar um ambiente de instabilidade e prejudicar o processo democrático”.

90 anos

No último dia 12 de setembro, o Banrisul completou 90 anos de fundação. Implantado em 1928, testemunhou, nessas nove décadas, uma série de acontecimentos iniciados já nos meses seguintes – como a crise mundial de 1929 – e que se estenderam pelas décadas, entre os quais as instabilidades internas, a segunda guerra, os diversos planos econômicos e as oito mudanças de moeda circulante no Brasil. Capilarizado no território gaúcho, mercado no qual é líder, alcançou em 2017 o melhor resultado de sua história, com lucro líquido de R$ 1,05 bilhão – desempenho que vem se repetindo em 2018, em que o primeiro semestre também foi marcado pelo recorde de R$ 505,9 milhões.

Foi o presidente da República à época, Washington Luiz, que assinou decreto federal, em 28 de agosto de 1928, autorizando o funcionamento do Banco do Rio Grande do Sul – sua primeira denominação. Decreto estadual de 6 de setembro do mesmo ano, assinado pelo então presidente gaúcho, Getúlio Vargas, chancelou os estatutos. O início das operações, seis dias depois, deu-se em salas cedidas pelo Tesouro do Estado, junto à Secretaria Estadual da Fazenda, na Praça Marechal Deodoro, em prédio idêntico ao do Theatro São Pedro e onde, atualmente, existe o edifício do Tribunal de Justiça. O secretário Firmino Paim Filho foi o primeiro presidente do Banco. De imediato, foram instaladas agências em Pelotas, Bagé, Rio Grande, Caxias do Sul e Novo Hamburgo.

Por natural, os anos imediatamente seguintes foram de expansão ao Interior do Estado e de afirmação do então BRGS como agente do desenvolvimento estadual, financiando a produção pecuária e agrícola, expandindo sua atuação para a indústria, o comércio e os serviços, e aparelhando-se profissionalmente para o desempenho de suas atividades. Nesse percurso, sempre recorreu às tecnologias de cada época para aperfeiçoar seus serviços, chegando à automatização nos anos 1980 e à condição de banco múltiplo, na década seguinte.

O pioneirismo tecnológico, que marca o Banrisul como a organização a ter o primeiro computador implantado no Rio Grande do Sul, vem tendo sequência desde então, especialmente neste novo milênio – também marcado pela abertura de capital (2007), a expansão dos negócios e os desempenhos recordes. Nessa trajetória, o Banrisul se mantém como uma das maiores organizações do Estado em número de colaboradores, aos quais disponibiliza treinamento constante e possibilidades de expansão profissional.

Em paralelo à evolução das vocações econômicas do Estado e do País ao longo do tempo, às quais tem acompanhado, o Banco preserva o forte e original vínculo com a economia rural, na missão de fomentar o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul.

Nesses 90 anos, teve 22 mandatos presidenciais e 17 presidentes – com cinco deles ocupando o cargo por duas vezes. Luiz Gonzaga Veras Mota, empossado em 16 de abril de 2015, é o primeiro empregado de carreira do Banco a exercer a sua presidência, à frente de uma diretoria igualmente técnica e predominantemente originária dos quadros internos.

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