Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em vídeo que não pretendia deixar o Brasil, mas a possibilidade de se mudar para os Estados Unidos com a família já era discutida antes da derrota nas eleições presidenciais, segundo relatos de pessoas próximas ao núcleo bolsonarista. O plano teria ganhado força diante da perspectiva de um resultado desfavorável, embora o senador e seus aliados tenham demonstrado confiança na vitória após o primeiro turno.
O principal articulador da viagem teria sido Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde 2025. Ao lado do ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, Eduardo vinha mantendo conversas com integrantes do governo de Donald Trump sobre a possibilidade de receber Flávio caso ele perdesse a disputa. A estratégia, segundo relatos, envolveria organizar a oposição brasileira a partir do exterior.
A possibilidade de deixar o País já havia sido mencionada publicamente por Eduardo antes do resultado eleitoral. A declaração foi citada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao determinar medidas relacionadas aos passaportes de Flávio. O senador, por sua vez, afirmou que permaneceria no Brasil e que entregaria os documentos às autoridades.
O roteiro inicialmente cogitado por aliados teria incluído uma passagem pela Venezuela, mas essa hipótese não foi confirmada. As informações divulgadas posteriormente apontaram outra trajetória: Flávio, a mulher, Fernanda, e as duas filhas cruzaram a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), seguiram em avião particular para Guayaquil, no Equador, e chegaram a Miami na manhã dessa quarta (28).
A viagem ocorreu após o prazo estabelecido por Moraes para a entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF). A saída também provocou questionamentos sobre a fiscalização das fronteiras e sobre o momento em que as autoridades brasileiras tomaram conhecimento do deslocamento.
O governo dos Estados Unidos anunciou que concederá vistos a Flávio e seus familiares, conforme informou um alto funcionário do Departamento de Estado à CNN Brasil. A confirmação, porém, não significa concessão automática de asilo político, possibilidade mencionada por aliados do senador.
Eduardo teria viajado com a própria família para a Flórida para receber o irmão. A expectativa de pessoas próximas era de que Flávio fizesse uma transmissão ao vivo para explicar publicamente os motivos da saída do Brasil. Até a chegada a Miami, contudo, as versões divulgadas por aliados e integrantes da família haviam contribuído para a incerteza sobre seu paradeiro. (Com informações da colunista Bela Megale, do jornal O Globo, da CNN Brasil e da Agência Brasil)