Quarta-feira, 05 de agosto de 2026

A poucos dias para o fim do prazo das convenções partidárias, a maioria dos partidos já definiu seu candidato à Presidência da República

Dois dos cinco candidatos à Presidência da República que melhor pontuam nas pesquisas ainda não definiram os vices que irão compor suas chapas. O prazo para a definição acaba nesta quarta-feira (5) e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve acontecer até o dia 15. Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) ainda não definiram o vice para as suas chapas e articulam com outros partidos essa composição.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai para reeleição novamente ao lado de Geraldo Alckmin (PSB). Já Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) optaram por uma chapa “puro-sangue”. Caiado terá o presidente de seu partido, Gilberto Kassab, como vice, enquanto Renan Santos (Missão) estará acompanhado de Aroldo Medina.

A busca pelo candidato a vice envolve algumas estratégias, como atrair eventuais eleitores que não votariam inicialmente no candidato a presidente e partidos que possam dar mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Em 2022, interlocutores do então candidato Lula defenderam que a aliança com Alckmin reforçou o aspecto de “frente ampla” da campanha do petista, atraindo, por exemplo, empresários paulistas, vistos como possíveis eleitores do ex-governador e que inicialmente poderiam votar em outro candidato.

Flávio

Pensando em atrair mais votos entre as mulheres — 52,8% do eleitorado —, a campanha de Flávio Bolsonaro busca uma vice para compor a chapa.

Na semana passada, o candidato se reuniu com a líder do PP no Senado Federal, Tereza Cristina (PP-MS), e recebeu o sinal positivo para compor a chapa.

A parlamentar, ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, no entanto, foi barrada pelo partido, que reforçou o posicionamento de ficar neutro na eleição nacional.

Nos bastidores, são especulados os nomes de Daniela Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro (PL), e da deputada federal e presidente do Podemos, Renata Abreu (Podemos-SP).

Em ambos os casos, o cenário é parecido com o que impediu Tereza Cristina de compor a chapa, Republicanos e Podemos devem ficar neutros para preservar alianças estaduais.

Zema 

O partido Novo confirmou a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República no dia 27, mas segue com indefinição em relação ao posto de vice.

O ex-governador de Minas Gerais elogiou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que chegou a se lançar pré-candidato pelo DC, mas as articulações não avançaram.

Zema também tentou atrair o Podemos para sua chapa através de Geraldo Rufino. O empresário, no entanto, será candidato ao Senado em São Paulo.

Segundo fontes do partido Novo, diante do impasse, a tendência é que Zema tenha um vice do próprio partido, compondo uma chapa “puro-sangue”.

Lula e Alckmin 

As convenções nacionais de PT, realizada no domingo (2) em São Paulo, e do PSB, na quarta-feira (29) em Brasília, oficializaram a repetição da chapa que elegeu Lula para seu terceiro mandato, em 2022.

Adversário de Lula na eleição presidencial de 2006 quando estava no PSDB, Geraldo Alckmin migrou para o PSB para fazer dobradinha com Lula em um movimento que buscava derrotar Bolsonaro.

No governo, além da vice-presidência, Alckmin chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), fazendo a interlocução entre o governo e parte do empresariado.

Ele teve um papel de destaque nas negociações com os Estados Unidos em meio ao tarifaço imposto pelo governo de Donaldo Trump.

Na convenção do PT, Alckmin ironizou a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção de Flávio Bolsonaro e criticou os ataques feitos pela família Bolsonaro às urnas eletrônicas.

“Quem não acredita no voto popular, não devia nem ser candidato a presidente. A descrença nas urnas é cheiro, fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”, declarou Alckmin.

Alternativa

A escolha de Kassab, presidente do PSD, para a vice de Caiado passou pela dificuldade em atrair partidos para uma composição e busca também de mergulhar de vez o PSD na campanha presidencial do ex-governador de Goiás.

Além disso, a chapa do PSD é parte de uma estratégia do partido mirando as eleições para o Congresso. A avaliação é que a dupla oferece um palanque neutro para candidatos que queiram fugir da polarização nacional.

Missão

O Missão foi outro partido que não se coligou com outra legenda e terá Renan Santos como candidato à presidência e Aroldo Medina como vice. A sigla aposta em um discurso antissistema.

Medina é militar da reserva, jornalista e editor especializado em história militar. Desde 2002, quando concorreu ao governo do Rio Grande do Sul pelo PL, disputou, sem sucesso, diversas eleições. (Com informações do portal de notícias g1)

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