Sábado, 22 de janeiro de 2022

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Alemanha entra em período de incerteza após eleição apertada

A Alemanha entrou nesta segunda-feira (27) em um período de incerteza após uma eleição apertada, em que os dois maiores partidos do país defendem o direito de governar a maior economia da Europa, o que provoca indefinição sobre quem será o sucessor de Angela Merkel.

Liderados pelo ministro das Finanças e vice-chanceler Olaf Scholz, o SPD (Partido Social-Democrata) é projetado como o vencedor com 25,7% dos votos, de acordo com resultados preliminares divulgados pelo site da Comissão Eleitoral.

A aliança conservadora da CDU (União Cristã-Democrata), de Merkel, e o partido aliado bávaro, CSU, liderada por Armin Laschet, teria 24,1% dos votos, o pior resultado de sua história de sete décadas.

O Partido Verde aparece em terceiro lugar, com 14,8%, seguido pelo FDP (Partido Democrático Liberal) com 11,5% e a formação de extrema-direita Alternativa para Alemanha (10,3%).

Na Alemanha não são os eleitores que escolhem diretamente o chefe de Governo, e sim os deputados, uma vez formada a maioria. Mas desta vez alcançar a maioria será algo especialmente complicado, pois deve reunir três partidos – a primeira vez que isto acontece desde a década de 1950 – devido à fragmentação do voto.

“Começa a partida de pôquer”, destaca a revista Der Spiegel. “Depois da votação, as perguntas essenciais permanecem em aberto: Quem será o chanceler? Que coalizão governará o país no futuro?”.

Para um país acostumado à estabilidade política após 16 anos sob a liderança firme de Merkel, os próximos meses devem representar um período conturbado. Tanto Scholz, 63 anos, como Laschet, 60, afirmaram que pretendem ter um governo formado antes do Natal.

A Bolsa de Frankfurt também parece acreditar na possibilidade e abriu em alta de mais de 1% nesta segunda-feira. Nesta segunda-feira, Scholz decidiu pressionar os conservadores e afirmou que o lugar deles é a oposição.

“A CDU e a CSU não apenas perderam votos, também receberam a mensagem dos cidadãos de que não devem mais estar no governo, e sim na oposição”, declarou o líder social-democrata.

Os alemães “querem uma mudança no governo e […] também querem que o próximo chanceler se chame Olaf Scholz”, disse algumas horas antes. Mas os conservadores, apesar do resultado “decepcionante”, destacaram que também pretendem formar o próximo governo, advertiu Laschet.

“Faremos o possível para construir um governo dirigido pela união CDU-CSU”, declarou o candidato democrata-cristão. As eleições apresentaram resultados muito divididos, o que significa que os partidos majoritários precisarão do apoio de outras duas formações para conseguir uma coalizão com peso suficiente para governar.

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