Quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Aliados temem foto de Lula com chapéu registrada para uso na urna; entenda

Produzida a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a foto usada pela campanha petista para registrar a candidatura à reeleição, em que ele aparece usando um chapéu panamá, abriu um flanco para questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avaliam aliados do petista. Caso seja mantida, será a primeira vez que o presidente — que está em sua sétima eleição — aparecerá na urna com um adereço.

Lula passou a usar o chapéu panamá com mais frequência desde que foi submetido à retirada de um câncer de pele, em abril, seguindo uma recomendação médica para proteger a região que passou pelo procedimento. Após a intervenção, o presidente ficou com um curativo no local e posteriormente realizou 15 sessões de radioterapia. O uso do acessório, portanto, está relacionado à necessidade de evitar a exposição direta ao sol na área tratada durante o período de recuperação.

O presidente possui uma coleção de chapéus panamá e tem utilizado o acessório em compromissos e atividades realizadas no Palácio do Planalto. A peça também apareceu em ocasiões públicas de maior repercussão, como no pronunciamento feito por Lula em 1º de maio, durante as comemorações do Dia do Trabalhador. Desde então, o chapéu passou a fazer parte de sua imagem em diferentes aparições públicas.

Embora seja incomum que candidatos registrem suas fotos de urna utilizando esse tipo de adereço, a campanha levantou outros casos anteriores como referência diante da possibilidade de questionamentos jurídicos sobre o uso da peça. A intenção foi verificar precedentes relacionados à utilização de acessórios em fotografias eleitorais e avaliar situações semelhantes já analisadas pela Justiça Eleitoral.

Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou um caso envolvendo o uso de boné na fotografia de urna e considerou que o acessório poderia ser entendido como parte da identidade cultural de uma pessoa. Na ocasião, a Corte autorizou que o candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) utilizasse o boné em sua foto de urna. O entendimento foi considerado pela campanha ao avaliar a possibilidade de Lula também aparecer com o chapéu panamá no registro eleitoral.

Na época, o caso chegou ao TSE por meio de um recurso apresentado pela defesa do então candidato. Quando apresentou o seu registro de candidatura, Belchior juntou ao processo uma foto em que aparece ostentando um boné de aba reta. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no entanto, barrou o uso do chapéu, por entender que se tratava de um mero “elemento cênico”.

Ao analisar o caso, o TSE apontou que em que pese a avaliação feita pelo tribunal regional entre “adorno e indumentária”, o uso do boné pelo candidato, “neste caso específico, não atrapalha a visualização do seu rosto nem dificulta o seu reconhecimento pelo eleitor”, o que atende aos requisitos previstos nas regras das fotografias dos candidatos prevista pela Justiça Eleitoral. (Com informações do jornal O Globo)

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