Sábado, 13 de abril de 2024

Ao confirmar doação que reduziu pena de Daniel Alves, pai de Neymar criticou amigos que “viraram as costas”

Os 150 mil euros (cerca de R$ 800 mil) doados por Neymar e seus parentes ao ex-jogador Daniel Alves, condenado a quatro anos e meio de prisão por estuprar uma mulher no banheiro de uma boate de Barcelona, foram fundamentais para que a pena fosse atenuada. Aliás, quando confirmou o depósito do valor, o pai de Neymar deu declaração pública dizendo acreditar na inocência de Daniel, e criticou outros amigos que não fizeram algo parecido.

“A família nos pediu ajuda. O Daniel não tinha dinheiro para se defender, e o prazo para o pagamento da defesa estava expirando. Pense bem, em nenhum momento, eu podia negar ajuda a um amigo que está tentando se defender de uma acusação”, disse Neymar da Silva Santos, no último dia 9 de janeiro.

“Eu não poderia virar as costas… E se a Justiça decidir que o Daniel é inocente? Preferi ter o peso de acreditar em um amigo do que virar as costas para alguém”, completou o empresário.

As declarações foram dadas em uma entrevista ao ex-jogador Emerson Sheik, na CNN Brasil. Além da ajuda financeira, Neymar Pai confirmou que a família ofereceu ajuda jurídica a Daniel, que começou a ser julgado no começo deste mês. A sentença saiu na manhã de ontem. Mesmo assim, eles preferiram acreditar na presunção de inocência.

“O Daniel está preso preventivamente e não foi julgado. Até o momento, a presunção de inocência é válida no mundo inteiro. Ou a gente participa de um pré-linchamento e julgamento público, ou tentamos ajudar um amigo e deixamos a Justiça decidir o destino do Daniel”, disse.

No final das contas, a doação surtiu efeito. A Justiça espanhola aplicou à pena do jogador um atenuante de reparação de danos porque, “antes do julgamento, a defesa depositou na conta do tribunal o montante de 150 mil euros para que pudesse ser entregue à vítima independentemente do resultado do processo”. A pena foi metade do que pedia o Ministério Público do país.

Relembre detalhes

A informação de que atacante do Al-Hilal transferiu dinheiro para auxiliar o ex-lateral do Barcelona e da seleção brasileira foi dada pelo site Uol em janeiro, e confirmada por Neymar Pai, pouco depois da publicação da reportagem.

Sem acesso aos seus bens desde que foi preso, Daniel Alves recorreu à ajuda financeira e jurídica de Neymar e família. O Uol também informou que o valor cedido pela família do atacante foi utilizado para depositar os 150 mil euros à Justiça espanhola, com o objetivo de argumentar pela redução da pena de Daniel, em caso de condenação — exatamente o que aconteceu.

Segundo o jornal La Vanguardia, o tribunal de Barcelona responsável pelo caso considerou ter ficado comprovado que a vítima não consentiu com a relação sexual.

Na avaliação do colegiado de juízes, porém, o depósito dos 150 mil euros “manifesta desejo de reparação”. A Justiça descartou que Alves tenha cometido os fatos em estado de embriaguez, o que a defesa alegava como circunstância atenuante para uma eventual condenação, com base na lei espanhola.

O tribunal considerou provado que “o arguido agarrou abruptamente a denunciante, atirou-a ao chão e, impedindo-a de se mexer, penetrou-a pela vagina, apesar de a denunciante ter dito que não, que queria ir embora”. O colegiado de juízes destacou ainda que “isto obedece ao tipo de ausência de consentimento, ao uso da violência e ao acesso carnal”.

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