Quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Candidato a deputado federal declara à Justiça Eleitoral ter R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo

Candidato à deputado federal pelo Rio de Janeiro, o empresário Clébio Jacaré (União) declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo na eleição deste ano. Em 2024, quando se registrou para disputar nas urnas a prefeitura de Nova Iguaçu, ele havia dito ter R$ 4,2 milhões em espécie. Com os valores corrigidos pela inflação, o candidato viu a quantia em dinheiro vivo crescer 158% em dois anos.

Os R$ 11,9 milhões declarados este ano são parte expressiva dos R$ 57 milhões que o empresário registrou na Justiça Eleitoral. Ele é dono ainda de quotas avaliadas em R$ 20 milhões, além de participações empresariais e imóveis. Em 2024, Jacaré havia declarado ainda ter R$ 98 mil em moeda estrangeira. No novo registro de candidatura, esse valor aparece associado a uma conta bancária no exterior.

Em 2022, quando conquistou uma vaga como suplente de deputado federal, ele declarou acumular um total de R$ 15,9 milhões em bens, que em valores atuais equivalem a R$ 18,8 milhões. Naquela eleição, ele havia dito ter R$ 5,15 milhões em espécie.

Candidatura indeferida 

Na última eleição, Clébio Jacaré acabou tendo a candidatura indeferida por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. O caso que levou ao indeferimento da candidatura é a Operação Apanthropia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na qual Jacaré é apontado como mentor e líder de uma organização criminosa que se instalou na prefeitura de Itatiaia. Em 2022, ele foi preso no âmbito das investigações, mas foi solto em seguida.

No pedido de prisão deferido pelo juiz Marcello Rubioli à época, o GAECO apontava “que o esquema liderado por Jacaré arrenda informalmente prefeituras fluminenses mediante pagamento de propina a prefeitos e vereadores, e, no momento seguinte, inicia uma série de negócios escusos”.

As investigações mostraram que Jacaré atuava supostamente como uma espécie de prefeito paralelo e oculto em Itatiaia, tendo designado um homem de confiança, Fábio Alves Ramos, também preso na operação, para ser o chefe de gabinete do prefeito Imberê Moreira Alves (janeiro a junho de 2021). Assim que fecharam o negócio, Jacaré e seus parceiros providenciaram a exoneração de todo o secretariado e indicaram nomes para o seu lugar. Imberê se limitava a assinar os atos.

Em 2020, o nome de Clébio Jacaré apareceu nas investigações da Operação Favorito — que levaria à queda do governador Wilson Witzel — associado a dois empresários presos na ocasião por venderem máscaras ao estado a preços superfaturados. Um deles teria subcontratado uma empresa do grupo de Clébio para aplicar o golpe. (Com informações do jornal O Globo)

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