Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de agosto de 2026
A corrida presidencial de 2026 começa oficialmente neste domingo (16), com um movimento de retorno às origens.
Os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas sobre a disputa ao Planalto escolheram locais que carregam alguma relação com suas trajetórias políticas ou pessoais para dar o primeiro passo da campanha rumo ao Palácio do Planalto.
Lula
Para Lula, o retorno à Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, tem um significado especialmente ligado à sua biografia. O Estádio Municipal 1º de Maio foi palco de assembleias e mobilizações de trabalhadores durante as greves do ABC no fim dos anos 1970, período em que o então metalúrgico ganhou projeção nacional como liderança sindical.
A campanha transformou essa ligação em mote para a abertura da disputa. A ideia é apresentar o ato como um reencontro com o ponto de partida de sua trajetória política, agora diante de uma nova tentativa de chegar à Presidência.
“Vamos nos encontrar na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Foi ali que a voz dos trabalhadores ganhou força e que parte importante da história da nossa democracia foi escrita”, disse Lula em suas redes sociais nesta quinta-feita, 13.
O evento também marcará a primeira grande mobilização popular depois da oficialização da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. A aliança reúne PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.
A escolha do local ajuda ainda a reforçar dois eixos que devem estar presentes na campanha petista: a defesa do legado do atual governo e a ideia de continuidade.
Flávio
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro escolheu outro lugar carregado de memória política: a Praia de Copacabana. O espaço se tornou um dos principais palcos de mobilização do bolsonarismo nos últimos anos e foi utilizado repetidamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em grandes manifestações.
A escolha aproxima a largada da campanha de Flávio da estética que marcou os atos políticos do pai. O candidato fará um comício acompanhado de trio elétrico, em uma estrutura semelhante à utilizada em mobilizações anteriores.
Mais do que uma escolha geográfica, o ato representa uma tentativa de conectar a candidatura à trajetória construída por Flávio no Rio. Foi no Estado que ele iniciou a carreira política, elegendo-se deputado estadual e, posteriormente, senador.
A campanha também pretende reunir candidatos do PL ao Senado e à Câmara dos Deputados.
Zema
Romeu Zema decidiu iniciar a corrida presidencial fora das capitais. O ex-governador de Minas Gerais fará o primeiro ato no Mercado Municipal de Montes Claros, no norte do Estado.
A escolha mantém a campanha conectada ao período em que Zema esteve à frente do governo mineiro. A região recebeu investimentos durante sua gestão, entre eles obras de infraestrutura consideradas pela equipe como símbolos da presença do governo no interior.
O movimento também permite ao candidato reforçar uma imagem construída ao longo dos dois mandatos em Minas: a de empresário que entrou na política e passou a percorrer municípios fora do eixo da capital.
Caiado
Ronaldo Caiado optou por uma largada diferente. Em vez de concentrar apoiadores em um único palco, o candidato do PSD fará uma espécie de peregrinação pelo Estado que governou até recentemente.
A caravana passará por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, municípios localizados no entorno do Distrito Federal. O percurso terminará em Luziânia.
A escolha reforça uma das principais linhas da comunicação de Caiado: apresentar a experiência acumulada à frente do governo goiano como credencial para a disputa nacional.
O ex-governador tem usado os resultados atribuídos à sua administração em Goiás para sustentar o discurso de que medidas adotadas no Estado podem ser levadas para uma agenda nacional.
Renan
Em São Paulo, Renan Santos, do Missão, escolheu o Largo de São Francisco. O espaço abriga a tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde o candidato iniciou o curso de Direito e teve contato com a política estudantil.
A largada também carrega uma provocação política. O Largo é historicamente associado a manifestações e mobilizações estudantis, muitas delas ligadas a movimentos de esquerda.
O evento terá participação da coordenadora da campanha, Amanda Vettorazzo, do deputado federal Kim Kataguiri, responsável pela coordenação econômica, e do candidato a vice, Aroldo Medina. (Com informações de O Estado de S.Paulo)