Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de agosto de 2026
Líder entre os candidatos de direita e atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto, Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser alvo cada vez mais frequente dos adversários que disputam o mesmo campo político. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm elevado o tom das críticas ao senador, em movimentos que também refletem a disputa por uma eventual vaga no segundo turno da eleição presidencial de 2026.
As ofensivas ocorrem enquanto os três candidatos buscam ampliar seu espaço entre eleitores alinhados à direita e, ao mesmo tempo, se apresentar como alternativas ao nome escolhido pelo PL para a sucessão de Lula. As críticas vão de questionamentos sobre a atuação de Flávio nos Estados Unidos e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro a ataques sobre sua capacidade de apresentar propostas e construir uma candidatura própria.
Caiado
Ronaldo Caiado foi um dos que mais endureceram o discurso contra o candidato do PL. Durante a convenção que oficializou sua candidatura, em 26 de julho, chamou Flávio, sem citar seu nome, de “candidato kinder ovo, uma surpresinha todo dia”, em referência a revelações envolvendo o senador, entre elas o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a foto ao lado de “Sicário” e a divulgação, pelo Metrópoles, de notas fiscais do escritório de Flávio para empresa ligada ao ex-banqueiro.
Na sequência, Caiado voltou a fazer referência ao adversário e o chamou de “frango de granja”. “Você já viu frango de granja? É aquele candidato que na vida não tem como explicar. Qualquer coisa fala assim: ‘chama o papai [Jair Bolsonaro], vou ler uma carta dele’. Come a raçãozinha, toma água com antibiótico e fica na sombra”, disse ele.
O ex-governador de Goiás criticou a convenção do PL, que contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial com Jair Bolsonaro. Para Caiado, Flávio acabou ofuscado no próprio evento.
Zema
A relação entre Romeu Zema e Flávio Bolsonaro também passou por momentos de aproximação e confronto. O ex-governador de Minas Gerais chegou a ser cotado para ocupar a vice na chapa do senador e, no fim de abril, afirmou que apoiaria Flávio em um eventual segundo turno. “Eu falo que eu estou junto para poder tirar o PT de lá”, disse à época.
Nos meses seguintes, porém, Zema elevou o tom contra o candidato do PL, principalmente após a divulgação de áudios e mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro. O mineiro classificou a atitude como “imperdoável”.
Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou: “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”. Zema também disse que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”.
Renan
Renan Santos também tem adotado uma postura mais dura em relação a Flávio. Após o senador levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras com base em documentos da CIA divulgados pelo governo dos Estados Unidos, Renan afirmou que ele fez o Brasil passar “vergonha internacionalmente”. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou as alegações apresentadas por Flávio.
O candidato do Missão ainda questionou se o senador estaria prejudicando a própria campanha: “O que ele [Flávio Bolsonaro] ganha fazendo isso? Será que ele quer tirar a candidatura dele? Será que, no fundo, ele está se autossabotando, imaginando que ele tem outros problemas que podem levar a não ganhar a eleição?”.
Em outra ocasião, Renan chamou Flávio de “criminoso” e afirmou que o senador não teria condições de derrotar Lula. Para ele, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nunca teria demonstrado interesse em construir uma candidatura própria. “Flávio nunca quis ser presidente. Flávio sempre esteve lá em Brasília para fazer negócios. O lance do Flávio é ficar rico e comprar imóveis”, afirmou. (Com informações do portal Terra)