Sábado, 08 de agosto de 2026

Caso Lulinha coloca o advogado-geral da União no centro de tensão entre Polícia Federal e Supremo

O advogado-geral da União, Jorge Messias, tornou-se o principal articulador nos bastidores da tensão entre a cúpula da Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal, no contexto do caso que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Clarissa, a escolha de Messias para atuar nessa mediação não é casual. Ele mantém boas relações tanto com integrantes do campo petista, incluindo a direção-geral da PF, quanto com o ministro do STF André Mendonça.

“Ele é amigo de André Mendonça, os dois têm uma relação muito boa. Mendonça esteve nos bastidores como um dos articuladores que contribuíram no avanço entre alguns setores na indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal”, lembrou Clarissa.

Segundo a analista, desde o início da semana já circulavam, em caráter reservado, críticas dentro do próprio governo e do campo petista à postura da direção da PF diante do conflito.

Integrantes chegaram a comparar André Mendonça a Alexandre de Moraes, porém de forma negativa para os interesses do grupo. “Esse tipo de coisa é dita em reservado, por integrantes do governo e integrantes do campo petista”, explicou a analista.

Formalmente, o encontro para tentar amenizar os ânimos foi sediado pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. “Mas, nos bastidores, quem está atuando é Jorge Messias”, detalhou Clarissa.

Mediação pode fortalecer indicação ao STF

A avaliação de aliados é de que a atuação de Messias nesse processo pode ter um efeito positivo para ele próprio. “Ele aumentar o passe dele, valorizar o passe dele para uma nova indicação para o Supremo Tribunal Federal”, disse Clarissa.

Segundo a analista, embora o assunto tenha perdido força com a proximidade do período eleitoral, Lula não teria desistido da ideia de indicar Messias ao STF.

“O presidente não desistiu disso, segundo as informações que chegam para mim. Vamos esperar para ver como isso vai se desenrolar, mas não vai ser nada imediato”, concluiu Clarissa.

Caso Lulinha ganha força nas redes

A repercussão do caso Lulinha, filho do presidente Lula, nas redes sociais foi menor que a registrada pelo tarifaço e pelo caso envolvendo Jaques Wagner nas primeiras horas, mas ganhou força progressivamente.

Segundo levantamento inédito do Instituto Democracia em Xeque, o episódio acumulou 61,5 mil menções nas primeiras 24 horas, contra 177,1 mil no caso Jaques Wagner e 411,2 mil no tarifaço. Em 72 horas, porém, Lulinha já havia chegado a 220,4 mil menções e, em sete dias, a 397,3 mil, muito próximo das 410,3 mil registradas pelo caso Jaques Wagner.

A diferença está no ritmo. Enquanto o tarifaço concentrou 49% de sua repercussão no primeiro dia, e Jaques Wagner, 43%, o caso Lulinha teve apenas 16% das menções nas primeiras 24 horas. Outros 40% ocorreram entre o segundo e o terceiro dia e 44% depois disso.

Ao todo, o levantamento identificou 3.525 posts sobre Lulinha, com alcance de 29,1 milhões de pessoas. A direita respondeu por 68% das publicações, contra 14% da esquerda e 17% da imprensa. O principal eixo da conversa foi o uso eleitoral das investigações, responsável por 31% dos posts, seguido pela disputa em torno da relatoria dos inquéritos, com 22%.

A oposição foi a principal responsável por transformar o caso em pauta eleitoral, associando as investigações à disputa de 2026 e à candidatura de Flávio Bolsonaro. O deputado Gustavo Gayer aparece entre os maiores amplificadores, com 7% do alcance registrado no período.

O pico ocorreu em 4 de agosto, quando o eixo relacionado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e citada nas investigações, chegou a 274 posts em um único dia.

A pesquisa analisou mais de 16 mil perfis no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok, entre políticos, influenciadores e veículos de imprensa. Para comparar a repercussão, foram considerados os volumes de menções nas primeiras 24 e 72 horas e nos sete dias seguintes a cada caso. Com informações dos portais CNN e O Globo.

 

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