Segunda-feira, 27 de abril de 2026

Chernobyl, 40 anos: as imagens da cidade fantasma afetada pela tragédia nuclear

O domingo marcou os 40 anos da tragédia de Chernobyl, considerado o acidente nuclear mais grave da história. Em 26 de abril de 1986, a usina de Chernobyl, na então União Soviética, foi palco de uma explosão em um de seus reatores durante um teste de segurança, liberando cerca de 200 toneladas de material radioativo na atmosfera.

A cidade de Pripyat, na Ucrânia, era, há 40 anos, o grande orgulho do setor soviético de energia nuclear. Prometia‑se a ela um futuro grandioso. Hoje, veículos abandonados perecem à beira das ruas. Brinquedos, restos de eletrodomésticos, louças e placas parcialmente desbotadas em língua russa, que informam sobre o nível de radioatividade, estão espalhados ao lado das casas. Os prédios estão vazios, com janelas quebradas e portas escancaradas.

Quase 50 mil pessoas perderam suas casas para sempre. Arbustos e árvores crescem por toda parte, formando um emaranhado de vegetação.

Sem presença humana, a área acabou virando uma espécie de reserva natural improvisada, onde espécies raras como o cavalo de Przewalski foram reintroduzidas em 1998.

Explosão

À 1h23 de 26 de abril de 1986, um erro humano durante um teste de segurança provocou a explosão do reator número 4 da usina de Chernobyl, no norte da Ucrânia, então parte da União Soviética.

A explosão destruiu o interior do prédio e lançou uma nuvem de fumaça radioativa na atmosfera, com combustível nuclear queimando por mais de 10 dias. Milhares de toneladas de areia, argila e blocos de chumbo foram lançados por helicópteros para tentar conter o vazamento.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu que a principal causa foram “falhas graves no projeto do reator e do sistema de desligamento”, somadas a “violações dos procedimentos operacionais”.

Nuvem radioativa

Nos dias seguintes, a nuvem radioativa contaminou fortemente Ucrânia, Belarus e Rússia, antes de se espalhar por outras partes da Europa.

O primeiro alerta público só veio dois dias depois, em 28 de abril, quando a Suécia detectou níveis elevados de radiação.A AIEA foi informada oficialmente em 30 de abril, mas o líder soviético Mikhail Gorbachev só reconheceu publicamente o acidente em 14 de maio.

Estima-se que milhares de pessoas tenham morrido por exposição à radiação, embora os números variem bastante. Um relatório da ONU de 2005 apontou cerca de 4.000 mortes confirmadas e estimadas nos três países mais afetados. Já o Greenpeace, em 2006, falou em até 100.000 mortes.

Segundo a ONU, cerca de 600.000 pessoas participaram das operações de limpeza (os chamados “liquidadores”) e foram expostas à radiação.

O desastre aumentou o medo da energia nuclear e impulsionou movimentos antinucleares na Europa.

Novas ameaças

Os restos da usina são cobertos por uma estrutura interna de concreto e aço, o chamado sarcófago, construído às pressas após 1986.

Uma cobertura mais moderna, o Novo Confinamento Seguro, foi instalada entre 2016 e 2017 para substituir a estrutura antiga. Essa proteção foi perfurada por um drone russo em fevereiro de 2025, comprometendo parte de sua função de contenção.

Um relatório do Greenpeace afirmou que a estrutura “não pode ser reparada no momento” e há risco de liberação de material radioativo.

O diretor da usina disse em 2025 que outro ataque poderia levar ao colapso da proteção. Os reparos devem levar de três a quatro anos.

Zona de exclusão

A região ao redor da usina foi evacuada e se tornou uma zona de exclusão, com cidades e florestas abandonadas. No total, cerca de 2.200 km² na Ucrânia e 2.600 km² em Belarus são praticamente inabitáveis.

A AIEA afirma que a área não será segura para habitação por dezenas de milhares de anos.

 

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