Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de maio de 2026
Mais do que parceiros comerciais, os chineses estão de olho nas tecnologias produzidas no Brasil. O país asiático, que disseminou globalmente a cultura do “high tech” (alta tecnologia), agora se debruça sobre máquinas agrícolas nacionais e pesquisas ligadas à ciência tropical, ao mesmo tempo em que busca trocar sua expertise em minipeças e implementos de menor custo, capazes de ajudar o produtor rural brasileiro a economizar na mecanização.
Essa é a síntese do movimento de visitantes chineses que circularam pela Agrishow, encerrada na semana passada em Ribeirão Preto (SP). Ao caminhar pelas ruas da feira, cuja extensão supera 150 mil metros quadrados, chineses se misturavam à paisagem marcada pela poeira da terra vermelha, botinas, chapéus e muitos celulares funcionando como tradutores simultâneos em negociações entre brasileiros e chineses.
Em um dos principais eventos do calendário de feiras agrícolas no Brasil, a presença chinesa chamou a atenção. No chamado “Pavilhão China”, a participação da delegação saltou 30%, passando de 18 para 50 empresas com estandes no local. De um lado, tradutores auxiliavam nas vendas. De outro, mesas com cervejas paulistas, frutas tipicamente brasileiras e cartões de visita em mandarim. Uma miscelânea cultural que se intensificou nos últimos dois anos na Agrishow.
O organizador do Pavilhão China, Neeson Cheng, afirmou que a primeira participação dos chineses na feira, em 2025, foi fundamental para estreitar negócios no segmento de máquinas agrícolas no Brasil e na América do Sul. “Este ano, estamos, inclusive, em um espaço maior e mais bem localizado dentro da Agrishow”, disse.
“Nosso espaço aumentou. Antes, estávamos mais distantes da entrada. Agora, estamos em uma área mais central. Isso é uma vantagem para nós. Com certeza, neste ano estamos bem mais satisfeitos do que no anterior”, afirmou o organizador. Segundo ele, a edição de 2025 gerou muitos negócios ao longo do ano seguinte, que não haviam sido concluídos durante a feira.
O plano do governo chinês é ampliar a participação em eventos de nicho, como as feiras agrícolas. Além da Agrishow, outros encontros devem contar com maior presença de grupos chineses nas agendas de negócios, como a Expointer, que acontecerá em Esteio entre 29 de agosto e 6 de setembro.
A expansão da presença chinesa nesse tipo de evento tende a ser estratégica e cada vez mais agressiva. Não apenas de olho na compra de commodities, mas também no fornecimento de tecnologias e soluções de inteligência artificial. Os drones chineses, por exemplo, estão entre os itens que mais despertam o interesse dos visitantes. As informação são da CNN.