Sábado, 27 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de junho de 2026
A Venezuela entra neste sábado (27) no terceiro dia de buscas das vítimas do terremoto, ainda aguardando a chegada de ajuda internacional para procurar e resgatar as pessoas que ainda estão em meio aos escombros. Segundo o balanço provisório do governo, 920 pessoas morreram nos tremores da última quarta-feira (26), 3.360 ficaram feridas e 4 mil estão desabrigadas. Quase 400 prédios foram danificados ou desabaram completamente.
O número real de vítimas, contudo, pode ser muito maior. O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o número de desaparecidos na tragédia seja de mais de 50 mil. Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Moradores que reviravam os escombros de suas casas na sexta (26) relataram ter visto poucas equipes de resgate do Estado nas áreas mais atingidas. A falta de ajuda agrava o desespero das famílias, à medida que a pressão para encontrar sobreviventes soterrados aumentava a cada hora.
Agências de assistência consideram as primeiras 48 a 72 horas um período crucial para resgatar pessoas com vida, embora esse prazo possa ser estendido caso elas tenham acesso a alimentos e água. Na noite de sexta-feira, as autoridades venezuelanas anunciaram que bloqueariam o acesso a La Guaira, o epicentro da destruição, à medida que o caos e o trânsito começavam a prejudicar as operações de busca.
Representantes do governo informaram que aqueles que desejassem entrar precisariam obter autorizações oficiais, mas forneceram poucos detalhes sobre quem teria permissão para ingressar na área. Enquanto isso, uma ampla operação de ajuda internacional ganha força, com dezenas de equipes de resgate de todo o mundo chegando à Venezuela ou com chegada prevista para breve.
Um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou na sexta levando ajuda humanitária e equipes de busca, e um hospital de campanha deve ser levado pelos militares brasileiros neste sábado. Na sexta, um novo tremor de magnitude 4,9 foi sentido em Caracas. O sismo mais recente é consideravelmente mais fraco que os registrados na quarta-feira (24) e que desencadearam a tragédia, mas também pode causar danos, já que as estruturas de muitas das construções já estão fragilizadas.
A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, anunciou ainda que seu governo vai “militarizar” as regiões mais afetadas pela tragédia. La Guaira, uma área costeira que fica nos arredores de Caracas, está dentro da chamada “zona de desastre” estipulada também pelo governo venezuelano. (Com informações do portal g1)