Quarta-feira, 22 de abril de 2026

Custo de vida: projeção para a inflação brasileira acumulada em 12 meses indica que a taxa deve ficar acima do teto até fevereiro de 2027

As medianas do Focus já indicam que a inflação em 12 meses vai superar 4,50% em junho deste ano, quando atingiria 4,56%. Depois, a taxa aceleraria a 4,80% em agosto, a 4, 90% em dezembro e a4,94% em janeiro de 2027, antes de atingir 4,80% em fevereiro do ano que vem. Como a taxa tende a ficar acima do teto da meta durante todo esse período, o Banco Central (BC) perderia oficialmente o alvo em novembro de 2026.

As taxas foram calculadas pelo Estadão/Broadcast com base nas medianas do sistema para o IPCA mensal, considerando todas as estimativas atualizadas nos últimos 30 dias úteis. As projeções do Focus já vinham se movendo para cima e indicando o risco de o BC se afastar novamente da meta de inflação.

Primeira vez

A meta contínua foi descumprida pela primeira vez em julho de 2025, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou o mês de junho com alta de 5,35% em 12 meses – acima do teto, de 4,50%, então pelo sexto mês seguido. No mesmo dia, o BC publicou uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para explicar o descumprimento.

Selic

Com a alta nas expectativas de inflação, o mercado também passou a ver menos espaço para cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

As medianas do Sistema Expectativas do Boletim Focus indicam que o BC vai diminuir os juros em 0,25 ponto porcentual nas duas próximas reuniões, levando assim a Selic a 14,25% em junho. Antes, a expectativa era de um corte de 0,50 ponto no sexto mês deste ano, com a taxa caindo a 14%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no dia 18 de março. Foi a primeira diminuição da taxa de juros referencial de juros do País em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário global.

Durante a entrevista coletiva que se seguiu à apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM), no dia 26 de março, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade do cenário atual, ressaltando que o “conservadorismo” da autoridade monetária ao longo de 2025 “comprou tempo” para que o BC possa analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.

“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom ( que acontece nos dias 28 e 29 de abril). O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária.

A trajetória de juros sinalizada pelo Boletim Focus indica que a Selic vai cair a 13,75% em agosto, 13,25% em setembro e 13% em novembro, e sendo mantida neste nível na última reunião do Copom neste ano, que acontecerá em 9 de dezembro. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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