Sábado, 09 de maio de 2026

Daniel Vorcaro quer devolver R$ 40 bilhões, mas só em 10 anos

A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou uma proposta de delação premiada na qual se compromete a devolver R$ 40 bilhões, mas com o pagamento parcelado ao longo de 10 anos. A avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF) é que o prazo está “muito elástico”, o que dificulta a recomposição imediata dos cofres públicos.

A estratégia do advogado de Daniel Vorcaro, José Luis de Oliveira Lima, conhecido como Juca, é ganhar tempo para tentar, ao longo dos próximos meses ou anos, reverter o processo. O plano da defesa consiste em encontrar brechas na investigação para arguir eventuais nulidades processuais que possam beneficiar o empresário.

Tanto no Supremo quanto na Procuradoria-Geral da República (PGR) há uma insatisfação com a forma como José Luis de Oliveira Lima tem apresentado a proposta de colaboração. A avaliação técnica é que o parcelamento excessivo retira a eficácia da recuperação de ativos, um dos pilares da lei de delação.

Próximos passos

Os anexos com as informações que a defesa pretende oferecer em troca de eventuais benefícios penais foram enviados para a Polícia Federal (PF) e para a PGR. Formalmente, o relator do caso, ministro André Mendonça, ainda não recebeu os documentos.

É necessária uma análise inicial da PF e da PGR sobre a utilidade dos dados e informações para, eventualmente, encaminhar o acordo para homologação do STF. Conforme informações do portal Poder360, a expectativa é que a análise da delação de Daniel Vorcaro aconteça a partir de junho ou julho deste ano. O depoimento de Vorcaro tem a possibilidade de expor as autoridades dos Três Poderes.

O eventual vazamento de dados da delação de Vorcaro deve começar a surgir nos próximos meses, pouco antes do período eleitoral. Quanto mais o tempo passa, maior pode ser o impacto no pleito de 2026. O 1° turno das eleições será em 4 de outubro.

Operação

Na quinta-feira, (7), Mendonça autorizou a 5ª fase da operação Compliance Zero. Entre os alvos, estava o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.

Na sua decisão, Mendonça disse que a relação de Vorcaro com o senador “extrapola a amizade”. Para ele, as investigações mostram um “um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”.

As informações sobre o envolvimento de Nogueira no caso foram extraídas de documentos e celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. Parte disso não está na proposta de delação do ex-banqueiro.

Na decisão que autorizou a operação, Mendonça cita “pagamentos mensais da ordem de R$ 300 mil ou mais, além de outras transações atípicas” de Vorcaro a Nogueira. E completa: “O montante teria evoluído para R$ 500 mil”.

O ministro do STF cita uma emenda à PEC da autonomia do Banco Central apresentada pelo senador em agosto de 2024 que favorecia o Master. O texto de Nogueira propunha aumentar o valor coberto pelo FGC de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão. Segundo a PF, a emenda foi escrita pelo próprio Vorcaro. (Com informações do portal Poder360)

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