Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou nessa quinta-feira (13) uma maratona de gravações com candidatos aliados ao Senado, em uma estratégia da campanha petista para tentar ampliar a bancada governista e conter o avanço de nomes ligados ao bolsonarismo na Casa. Com dois terços das cadeiras em disputa neste ano, a composição do Senado é tratada pela campanha como uma das prioridades da eleição, atrás apenas da própria reeleição do presidente.
A preocupação é com a possibilidade de a oposição conquistar uma maioria capaz de impor derrotas ao governo e aumentar a pressão sobre o Palácio do Planalto em um eventual quarto mandato de Lula. A avaliação entre aliados é que a atual correlação de forças no Congresso já dificulta a aprovação de pautas defendidas pelo Executivo e pode se tornar ainda mais desfavorável a partir de 2027.
“Nós definimos, obviamente, que a prioridade maior é a eleição do presidente Lula, a reeleição dele, mas colocamos já de imediato como prioridade a eleição dos senadores. Todo mundo sabe como é difícil a vida no Senado hoje. A extrema-direita está trabalhando para tentar obter uma maioria absoluta no Senado, e a nossa estratégia é fazer com que nós possamos eleger uma bancada lulista”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), que participou das gravações nessa quinta.
Lula reservou horários para gravar peças de apoio a aliados que disputam cargos majoritários nos Estados. Candidatos ao Senado e aos governos estaduais foram chamados a Brasília pela cúpula petista para participar das filmagens, feitas no QG de comunicação da campanha, no Lago Sul.
A participação do presidente será adaptada às diferentes disputas estaduais, com falas preparadas pelo núcleo de comunicação da campanha levando em consideração as particularidades de cada região. O apoio de Lula é considerado especialmente importante no Nordeste, onde o petista historicamente concentra seus melhores resultados eleitorais.
A eleição para o Senado, porém, ganhou peso adicional no planejamento deste ano. Das 81 cadeiras da Casa, 54 estarão em disputa, já que cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores. O número abre espaço para uma mudança significativa na composição do plenário a partir do próximo ano.
As gravações têm durado cerca de 30 segundos com cada candidato, com o discurso adaptado para inserções no rádio e na TV. Nos vídeos, Lula tem destacado ações realizadas pelo governo nos últimos quatro anos e pedido apoio aos candidatos, reforçando a importância de eleger uma bancada no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, comprometida com seu programa de governo.
Segundo Costa, a estratégia não se limitará aos candidatos ao Senado. Lula também deverá gravar com candidatos aos governos estaduais que apoiam sua reeleição e terá pequenas inserções nos programas de candidatos a deputado federal do PT. A intenção é associar a eleição de uma bancada maior à capacidade de um eventual novo governo aprovar suas principais propostas no Congresso.
“A informação que nós temos é de que o presidente vai gravar seis segundos para todos os programas dos parlamentares, dos deputados federais. Ou seja, isso inclusive é importante dizer: é a primeira vez que nós estamos fazendo um trabalho para o voto no PT para deputado. Isso tudo tem a ver com a correlação de forças difícil que a gente está enfrentando hoje”, disse o senador.
Costa citou como exemplo o fim da escala de trabalho 6×1, uma das bandeiras que Lula pretende explorar durante a campanha. Segundo ele, a participação do presidente nos programas eleitorais deverá reforçar a mensagem de que a aprovação de propostas defendidas pelo Planalto depende também da eleição de deputados e senadores aliados.
“Essa gravação junto ao presidente da República é muito importante. Provavelmente também os deputados federais deverão ter uma participação de Lula nos seus programas, mostrando que, se a gente quiser aprovar as grandes pautas do Brasil, como o fim da escala 6×1 e outras mais, é preciso que a gente tenha uma melhor correlação de forças no Congresso Nacional”, afirmou.
A ofensiva ocorre às vésperas do início oficial da campanha eleitoral e em um momento em que o bolsonarismo também concentra esforços na disputa pelo Senado. Para o entorno de Lula, o resultado das eleições para a Casa terá impacto direto sobre a margem de atuação do próximo presidente, já que cabe aos senadores, além da votação de projetos e propostas de emenda à Constituição, analisar indicações para tribunais superiores e outras autoridades e processar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). (Com informações do jornal O Globo)