Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Deputados democratas questionam papel do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos

Um grupo de deputados democratas enviou uma carta, na noite de quinta-feira, 29, ao Departamento de Estado dos Estados Unidos para questionar o papel do governo americano na fuga do ex-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o site Politico, que teve acesso à carta, o documento foi uma iniciativa das deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada, e foi assinado por 25 parlamentares, entre eles integrantes da Comissão de Relações Exteriores.

Na carta, direcionada ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, os deputados fizeram 15 perguntas sobre o envolvimento da pasta na saída de Flávio do Brasil e o processo adotado para aprovar um visto americano para o senador enquanto ele deixava o País.

O Politico afirmou que os parlamentares pediram que Rubio esclareça como o Departamento de Estado coordenou com outras agências a concessão do visto, se as autoridades tinham conhecimento das investigações em andamento contra Flávio e em que medida a pasta e seus funcionários ajudaram o senador a deixar o Brasil e chegar aos EUA.

“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, escreveram os deputados na carta.

“A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomacia dos EUA.”

Na quinta-feira, o jornal The New York Times afirmou que o assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, foi o responsável por providenciar o jato particular que levou Flávio da Argentina para Miami, com uma parada no Equador.

Segundo o jornal, que cita uma fonte familiarizada com a logística da viagem, que falou sob condição de anonimato, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, mantém contato com Miller.

A fonte disse ao NYT que o plano começou a ser colocado em prática na segunda-feira, 26, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seu passaporte. Como o senador não entregou o documento no prazo determinado, a Polícia Federal (PF) cancelou o passaporte dele em seu sistema de controle.

Os registros migratórios do governo da Argentina mostram que Flávio usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho.

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira, 27, dois dias após ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos, enquanto Flávio recebeu 48,21% dos votos.

Já nos EUA, o senador publicou, na noite de quarta-feira, uma carta de teor golpista na qual chegou a se autodeclarar “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, fez alterações no texto e publicou pelo menos outras duas versões, nas quais passou a se autointitular “o líder do Brasil”.

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