Quarta-feira, 22 de julho de 2026

Dinheiro e polêmica: Copa chega ao fim com receita recorde e controvérsia sobre politica

É difícil argumentar que a Copa do Mundo não tenha sido um sucesso — mesmo depois da intervenção sem precedentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que colocou em risco a integridade do torneio.
Com a Espanha conquistando seu segundo título mundial no domingo (19), ao derrotar a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, o evento esportivo mais lucrativo da história superou todos os obstáculos que surgiram pelo
caminho.

A Fifa elevou em cerca de US$ 2 bilhões sua projeção de receita para o ciclo de quatro anos encerrado agora, segundo comunicado divulgado ao fim do torneio, além da estimativa anterior de aproximadamente US$ 9 bilhões relacionada à Copa do Mundo.

Mais de 15 milhões de pessoas passaram, ao longo do torneio, por estádios e áreas de festivais de torcedores, fazendo desta a Copa do Mundo com maior público da história, apesar dos preços recordes dos ingressos.

Torcedores e seleções visitantes elogiaram os anfitriões americanos, uma mudança bem-vinda diante da deterioração da imagem do país por causa das tarifas, da guerra com o Irã e das políticas de imigração que impediram um árbitro africano e alguns portadores de ingressos de participar do torneio.

Mas a obsessão da Fifa por dinheiro e poder acima de tudo manchou, sem dúvida, o que de outra forma teria sido um torneio marcado pelo clima de celebração. O principal episódio foi a intervenção de Trump em favor de um astro americano suspenso e o processo de decisão subsequente, pouco transparente, que acabou atendendo aos desejos do presidente dos EUA.

No domingo, o meio-campista e capitão da Espanha, Rodri, recebeu o troféu da Copa do Mundo das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e de Trump. Os dois foram alvo de vaias durante a partida, reação intensificada por um episódio específico.

Durante a fase eliminatória, Trump telefonou para Infantino e perguntou se Folarin Balogun, que havia recebido suspensão de uma partida após ser expulso em um jogo contra a Bósnia e Herzegovina, poderia ser liberado
para defender os EUA nas oitavas de final contra a Bélgica.

Pouco tempo depois, a comissão disciplinar da Fifa suspendeu a punição por um ano, em uma decisão sem precedentes que permitiu ao atacante entrar em campo, apesar das objeções da Federação Belga de Futebol.

A insistência de Infantino de que a comissão era independente foi imediatamente rejeitada pelos torcedores, que apontaram os esforços incessantes do dirigente da Fifa para se aproximar de Trump, incluindo a criação às pressas, no ano passado, de um Prêmio da Paz da Fifa entregue ao presidente dos EUA. Críticos consideraram a sequência de acontecimentos o exemplo mais recente da corrupção profundamente enraizada na Fifa e da capacidade dos EUA de impor sua vontade.

“Acho que eles deveriam demitir o presidente da Fifa ”, afirmou Chloe Ligsay, jogadora de futebol de 22 anos da Califórnia que visitava Nova York vestindo a camisa da seleção masculina dos EUA. “Acho que a política deve ficar fora do esporte.”

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