Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Em ano eleitoral, Argentina ganha socorro da China

Um importante swap de dívida em moeda local da Argentina foi concluído “com muito sucesso”, disse um porta-voz do governo. O governo do presidente Alberto Fernández tem procurado manter as finanças públicas a salvo de um naufrágio total em meio a uma inflação desenfreada de 109% e de reservas cambiais cada vez menores.

Swap é uma operação em que há troca de posições quanto ao risco e à rentabilidade, entre investidores.

Parte de um esforço mais amplo para reestruturar as dívidas do governo e evitar a inadimplência, a operação é estimada por analistas em cerca de 10,2 trilhões de pesos (US$ 42 bilhões) em ativos de dívida, com pouco menos da metade em mãos de investidores privados.

“Hoje realizamos o maior swap de dívida pública da história da Argentina no mercado doméstico”, disse Eduardo Setti, secretário de Finanças, no Twitter, acrescentando que isso ajudaria a liquidar os vencimentos do segundo semestre.

A porta-voz do governo Gabriela Cerruti disse que o swap foi “muito bem-sucedido”, embora não tenha divulgado os resultados detalhados. “Isso liquida completamente a dívida em pesos no segundo semestre”, disse ela, acrescentando que o governo tem a expectativa de que a operação ajude as negociações neste mês com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para reformular o programa de empréstimos de US$ 44 bilhões do país. O FMI saudou a troca da dívida da Argentina nesta quinta-feira, acrescentando que a operação deve salvaguardar a sustentabilidade da dívida.

Os argentinos vão às urnas em outubro para eleger um sucessor ou sucessora do presidente Alberto Fernández. Ele já anunciou que não tentará a reeleição. O bloco governista ainda não definiu quem será seu candidato. Um dos nomes que aparecem em todos os cenários como possível aposta oficial é o do ministro da Economia, Sergio Massa. Ele não se apresenta como pré-candidato. O descontrole da inflação é um dos fatores que mais desgastam a imagem do governo e dificultam as chances de qualquer candidato governista.

Setor elétrico

O interesse chinês no setor elétrico brasileiro voltou com força em 2023. Nos primeiros cinco meses do ano, os anúncios das companhias chinesas em energia somam mais de R$ 65 bilhões (US$ 13 bilhões). O país já é um dos principais investidores no segmento. Entre 2007 e 2021, as elétricas chinesas puseram no país montante de US$ 32 bilhões.

O valor pode aumentar bastante com a previsão de megaleilões, expansão de energias renováveis, necessidade de eletrificação e crescente interesse em hidrogênio verde, o que têm feito com que diversas empresas chinesas anunciassem uma série de memorandos de entendimentos e novas parcerias. Se antes a principal estratégia era via fusões e aquisições, agora a possibilidade por meio de projetos novos (greenfield) aumenta.

Os anúncios mais agressivos ficam por conta das empresas controladas pelo governo de Xi Jinping. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estiveram recentemente com o presidente da Energy China International, Lyu Ze Xiang, e anunciaram que a companhia pretende investir cerca de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 50 bilhões) em transmissão e energia eólica.

Silveira também esteve com embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e sua comitiva, e afirmou à reportagem que o país é um parceiro importante e tem buscado estreitar relações.

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