Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de agosto de 2026
A pista do aeródromo de Nerlerit Inaat, localizada na costa de um dos muitos fiordes do mar da Groenlândia, recebe apenas alguns aviões por semana. Com cinco armazéns e três prédios vermelhos isolados em uma área remota do território autônomo dinamarquês, a chegada de 15 contêineres e máquinas pesadas de construção no fim de julho chamou a atenção, relata o jornalista dinamarquês Niels Anner.
Em comunicado divulgado em 30 de julho, o governo da Groenlândia informou que o Ministério da Indústria e dos Recursos Minerais foi avisado de que a empresa White Flame Energy havia transferido equipamentos de perfuração embalados e armazenados de Tasiilaq para Nerlerit Inaat sem autorização das autoridades locais. Essa operação marítima pode marcar o início da exploração de petróleo na península de Jameson Land por um conglomerado empresarial voltado para interesses americanos.
Segundo o ministério, o objetivo era desembarcar os equipamentos em Nunap Qeqqa (Jameson Land) para realizar perfurações.
“O detentor da licença não havia obtido as permissões necessárias da autoridade competente antes de iniciar a operação”, informou o governo, acrescentando que uma advertência formal será enviada à empresa responsável. Em 2014 e 2018, a White Flame adquiriu três licenças, ainda válidas, para explorar e eventualmente produzir petróleo na região. Esses direitos ganharam valor após Nuuk suspender, em 2021, a emissão de novas licenças de exploração petrolífera.
Três anos depois, a companhia foi comprada pela britânica 80 Mile PLC, que recentemente estabeleceu parceria com a Greenland Energy, empresa americana criada em 2025 por pessoas próximas a Donald Trump, entre elas Larry Sweet e Carol Craig.
Esta última participa do desenvolvimento do sistema antimísseis Golden Dome, que Trump pretende instalar na Groenlândia.
A Greenland Energy afirmou nas últimas semanas ter avançado nos preparativos para o que considera um dos maiores programas de exploração terrestre já realizados na Groenlândia em décadas.
À frente da empresa está Robert Price, executivo do setor petrolífero que nunca escondeu suas ambições em Jameson Land. Durante visita à região em março, ele demonstrou entusiasmo diante de moradores céticos.
“Será como os campos de petróleo das décadas de 1920, 1930 e 1940”, declarou o empresário. “A pressão e o petróleo vão saltar diante de nossos olhos.”
Price e seus parceiros estimam que a área contenha cerca de 13 bilhões de barris de petróleo, equivalentes a aproximadamente US$ 1 trilhão ((cerca de R$ 5,4 trilhões).
Segundo os planos da companhia, a primeira perfuração, com profundidade de 3.500 metros, deve começar em outubro. Em carta enviada aos acionistas em 6 de agosto, a Greenland Energy afirma que aguarda as autorizações antes de iniciar os preparativos logísticos. A retomada do projeto em Jameson Land coincide com novas manifestações públicas de Trump sobre a Groenlândia.
Em 1º de agosto, o presidente americano publicou na rede Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando seu rosto observando do céu um vilarejo groenlandês, acompanhada apenas da frase: “Hello Greenland” (“Olá, Groenlândia”).
Um dia antes, em entrevista ao jornalista conservador Steve Gruber, Trump declarou que o território autônomo estaria sob controle dos Estados Unidos antes do fim de seu mandato, em 2029.
Um mês antes, o apresentador e podcaster Dr. Phil, apoiador de Trump, anunciou que viajaria a Ittoqqortoormiit para produzir uma série documental sobre o projeto.
“Estou indo para a Groenlândia para uma das expedições energéticas mais empolgantes de todos os tempos”, afirmou. Segundo ele, estará presente no momento do “primeiro golpe da perfuratriz”. (Com informações do G1)