Sábado, 02 de março de 2024

Entenda a real dimensão dos incêndios que afetam o Canadá a levam fumaça aos Estados Unidos

Autoridades do Canadá já avaliam que a atual temporada de incêndios florestais pode ser a pior já registrada no país. Tanto é assim que a fumaça dos incêndios cobriu uma grande área na região Leste da América do Norte e está causando estragos em cidades como Nova York, no país vizinho Estados Unidos.

As chamas começaram no início deste mês na província de Quebec, influenciados pelo clima seco e quente, além da ocorrência de vários raios. E a propagação foi rápida: de 36 focos iniciais, passou a mais de 100.

“É comum que haja incêndios nesta época, mas na atual temporada a intensidade tem sido maior, ressalta o diretor da da agência de combate a incêndios de Quebec, Philippe Bergeron.

Quase 4 milhões de hectares de terras foram atingidos até agora no país, o que representa 12 vezes acima da média dos últimos dez anos para a época. “Isso é o equivalente a quase 10 milhões de campos de futebol”, compara o ministro de Preparação para Emergências do Canadá, Bill Blair.

E com tanto fogo, os recursos locais para sua extinção esgotaram. Por isso, bombeiros da França e Estados Unidos tiveram que ser chamados ​​para ajudar nos trabalhos.

Área mais afetada

No caso de Quebec, os focos de incêndio diminuíram de 150 para 130 nos últimos dias. Mas estão se fundindo e ficando maiores, conforme explicam especialistas. Quebec nunca havia registrado incêndios florestais nessa escala. Além disso, a ocorrência costuma ser mais comum no Oeste, em províncias como Alberta e Colúmbia Britânica.

Em todo o país, mais de 20 mil pessoas tiveram que ser evacuadas de suas casas, 15 mil delas somente em Quebec. A situação continua preocupante em várias regiões e o risco de um novos incêndios é descrito como “extremo” pelas autoridades.

A temporada incomumente ativa provocou alguns apelos entre os políticos para a criação de um serviço nacional de bombeiros. O Canadá geralmente depende do compartilhamento de recursos de cada província ou ajuda de Estados do país vizinho. Quando esses recursos se esgotam, as províncias recorrem ao governo federal para obter apoio militar, assim como a outros países para assistência internacional.

Com tantos casos ao mesmo tempo este ano, as províncias que lutam contra seus próprios incêndios agora têm muito mais dificuldades para compartilhar seus recursos com aquelas que têm sido mais afetadas.

Na semana passada, o primeiro-ministro Justin Trudeau reconheceu que seu governo está pensando em criar algum tipo de agência nacional de resposta a desastres.

Nova York

Pouco mais de 800 quilômetros separam Quebec, no Canadá, de Nova York (EUA). Mas os efeitos dos incêndios estão sendo sentidos no céu da mais famosa cidade norte-americana.

Uma neblina alaranjada cobriu o horizonte da cidade, escurecendo pontos de referência como a Estátua da Liberdade. As autoridades de saúde pública alertaram as pessoas para não se exercitarem ao ar-livre e pediu que minimizem ao máximo a exposição à fumaça, pois o ar representa riscos imediatos e de longo prazo à saúde.

Especialistas dizem que a exposição a esse tipo de situação pode causar uma série de problemas de saúde, incluindo pulso elevado, dor no peito e inchaço nos olhos, nariz e garganta. “Estamos vendo um aumento no número de consultas relacionadas à asma no pronto-socorro”, disse um porta-voz do departamento de saúde de Nova York.

Em estações de trem, ônibus e parques, as autoridades de saúde distribuíram máscaras e foram feitos comunicados para que as escolas públicas adotem o ensino remoto, ao menos por enquanto.

Não por acaso, a cidade alcançou o “Código Marrom”, a categoria mais alta do índice de qualidade do ar (AQI, por sua sigla em inglês), que indica condições perigosas à saúde. O índice superou inclusive o das cidades mais poluídas do mundo.

Cerca de 111 milhões de pessoas nos Estados Unidos estão sob alerta de qualidade do ar devido aos incêndios. E a fumaça afetou voos. A Administração Federal de Aviação tomou medidas para “gerenciar com segurança o fluxo de tráfego para a cidade de Nova York, Washington DC, Filadélfia e Charlotte”.

Grupos ambientalistas também chamaram a atenção para as mudanças climáticas, que estão criando condições mais quentes e secas que aumentam o risco e a propagação de incêndios florestais.

E embora seja parte da América do Norte que tem sido diretamente afetada por eles, os vestígios dos incêndios florestais no Canadá estendem-se ainda mais: esta semana foi detectada fumaça a milhares de quilômetros de distância, na Noruega, conforme alertou o Instituto de Investigação Climática e Ambiental do país escandinavo.

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