Sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Entenda por que inquéritos de Lulinha sobre suspeitas de tráfico de influência estão Supremo

Suspeito de operar um esquema de tráfico de influência em negócios de aliados com o governo federal, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apareceu na investigação da Operação Sem Desconto em dezembro, a partir do depoimento de uma testemunha e de informações encontradas no telefone celular do empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de liderar um esquema de desvios de aposentadorias. Defesa de Lulinha nega envolvimento dele no caso.

Um ex-funcionário do Careca do INSS, Edson Claro, procurou a Polícia Federal e prestou diversos depoimentos sobre os negócios do seu antigo parceiro. Em um desses depoimentos, afirmou ter ouvido do empresário que ele pagaria uma “mesada” de R$ 300 mil a Lulinha e que eles seriam sócios em um negócio de cannabis medicinal para venda ao governo federal. As suspeitas foram reforçadas com as informações encontradas no celular do Careca do INSS. Em mensagens periciadas pela PF, o empresário ordenou pagamentos de notas fiscais ao “filho do rapaz”.

A intermediária desses pagamentos seria a lobista Roberta Luchsinger, que de fato recebeu R$ 1,5 milhão do “Careca do INSS” e é amiga muito próxima de Lulinha, fato reconhecido publicamente pelos dois. Depois desses achados, a PF quebrou o sigilo telemático de Roberta e apreendeu o seu celular, o que resultou na obtenção de novos indícios sobre a atuação deles.

Todas essas informações foram apuradas dentro da investigação da Operação Sem Desconto, sobre esquema bilionário de descontos ilegais e não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso está sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, por envolver suspeitas de corrupção de parlamentares e outros agentes públicos.

Como revelou o Estadão, a PF suspeita que Roberta “tinha autorização” para falar em nome de Lulinha com integrantes do governo federal e intermediar negócios de empresários, dentre eles o Careca do INSS. Em uma troca de mensagens transcrita pela PF, ela chegou a manifestar isso: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”.

Com base nessas credenciais, ela tentou oferecer ao Ministério da Saúde um contrato para a venda de cannabis medicinal, que seria feita por uma empresa do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. A minuta desse contrato, como revelou o Estadão, previa lucro de 20% para o grupo.

Após ter colhido todos esses elementos, a PF enviou ao Supremo três representações, mas apontou que os novos fatos descobertos sobre Lulinha não tinham relação direta com o esquema de desvios do INSS.

Inquéritos

Em nove meses de apuração, Lulinha tornou-se alvo de três inquéritos sob a guarda do STF, que apuram suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde, no Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal, e em outra área do governo.

O relator da investigação sobre descontos indevidos nos contracheques de aposentados e pensionistas, ministro André Mendonça, autorizou dois inquéritos contra o filho do presidente Lula. Um terceiro inquérito está sob relatoria do ministro Flávio Dino.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, pediu ao ministro André Mendonça o envio à primeira instância dos inquéritos sobre suspeitas de tráfico de influência, sob o argumento de que Lulinha não tem foro por prerrogativa de função no Supremo.

O presidente Lula disse que Lulinha, seu filho mais velho, deve se apresentar à Justiça para prestar esclarecimentos. A orientação de Lula foi dada na noite de quarta-feira (19), durante reunião com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, e com o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

Coordenador da campanha de Lula em São Paulo e também do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio observou que o presidente não quer ver o filho tratado como se estivesse acima da lei.

Os desdobramentos dos inquéritos envolvendo Lulinha preocupam cada vez mais o comando da campanha de Lula à reeleição. Nos bastidores, há um clima de apreensão porque a equipe petista não sabe o que está por vir. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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