Quinta-feira, 16 de julho de 2026

Estados Unidos divulgam acordo com o Irã que prevê reabertura do Estreito de Ormuz e negociações sobre programa nuclear

Os Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (17) o texto oficial do memorando de entendimento firmado com o Irã no último fim de semana. O documento estabelece as bases para o encerramento das hostilidades entre os dois países, a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio gradual de sanções econômicas e a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo um alto funcionário do governo americano, o memorando representa um primeiro passo para um acordo mais amplo que deverá ser negociado nos próximos dois meses.

“Trata-se, fundamentalmente, de um acordo que nos permite reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz, comprometer os iranianos a eliminar o material nuclear remanescente e criar um mecanismo para ampliar o alívio econômico e das sanções caso o país demonstre comportamento cooperativo”, afirmou.

Batizado de “Memorando de Entendimento de Islamabad entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, o documento foi divulgado após críticas sobre a falta de transparência em relação ao conteúdo do entendimento alcançado pelas partes.

O acordo deverá ser formalmente assinado na sexta-feira (19), iniciando um período de até 60 dias para a negociação dos termos definitivos.

Entre os principais compromissos assumidos pelas partes está o encerramento imediato das operações militares e a promessa de não iniciar novas ações armadas uma contra a outra. O texto também prevê o respeito mútuo à soberania e à integridade territorial dos dois países.

Outro ponto central é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Pelo memorando, os Estados Unidos se comprometem a retirar gradualmente o bloqueio naval imposto à região e a reduzir sua presença militar nas proximidades do território iraniano.

Em contrapartida, o Irã deverá garantir a passagem segura e sem cobrança de taxas para embarcações comerciais que transitam entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã. A normalização do fluxo marítimo deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos 30 dias.

O documento também estabelece bases para um amplo programa de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã. Os Estados Unidos afirmam que trabalharão com parceiros regionais para estruturar um plano estimado em pelo menos US$ 300 bilhões, cuja implementação será detalhada durante as negociações do acordo definitivo.

Na área econômica, Washington concordou em discutir o fim gradual das sanções impostas ao Irã, incluindo restrições financeiras, comerciais e energéticas. O memorando prevê ainda a emissão de autorizações para exportações de petróleo iraniano e a liberação de ativos financeiros atualmente congelados no exterior.

A questão nuclear permanece como um dos temas centrais das negociações. O Irã reafirma no documento que não pretende desenvolver armas nucleares e concorda em discutir a destinação de seu estoque de material enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Até a conclusão do acordo definitivo, os dois países concordaram em manter o atual cenário. O Irã não ampliará seu programa nuclear, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar na região.

O memorando também prevê a criação de um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos e estabelece que o futuro acordo final deverá ser submetido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para receber respaldo internacional.

A divulgação do documento ocorre em um momento considerado decisivo para a estabilidade do Oriente Médio e para os mercados globais de energia. A reabertura do Estreito de Ormuz é vista como um dos pontos mais relevantes do entendimento, já que a região concentra uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo.

Caso as negociações avancem dentro do cronograma previsto, Estados Unidos e Irã poderão chegar a um acordo definitivo até o fim de agosto, encerrando uma das mais prolongadas disputas diplomáticas e estratégicas das últimas décadas.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Cristiano Ronaldo decepciona em estreia de Portugal na Copa do Mundo com empate contra RD Congo
Comissão da Agricultura aprova mudanças nas regras para importação de cacau
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play