Domingo, 16 de agosto de 2026

Estrutura de proteção contra enchentes na Zona Norte de Porto Alegre está 70% concluída

Iniciadas em junho, as obras de proteção contra enchentes em área da Zona Norte de Porto Alegre entre os bairros Anchieta e Sarandi já avançaram 70% e devem ser concluídas no final deste mês. A informação é o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e considera as frentes de trabalho instaladas nos arroios Passo das Pedras e Areia.

No primeiro, as equipes atuam nos últimos ajustes das galerias próximas ao rio Gravataí para a canalização do curso de água. A construção de um dique de proteção será retomada à medida que as condições climáticas forem mais favoráveis. Já o segundo contempla a preparação das galerias preexistentes para instalação de comportas móveis.

O investimento é de R$ 47 milhões, valor que inclui a obra civil, em andamento, e a aquisição de equipamentos como bombas, eletrocentros e geradores. Diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone ressalta:

“As obras estão avançando em ritmo muito satisfatório, com diferentes frentes de trabalho atuando simultaneamente para reforçar a proteção da Zona Norte. Estamos cumprindo o cronograma previsto e, ao mesmo tempo, incorporando soluções que aumentam a capacidade de resposta do sistema diante de eventos de cheia”.

As intervenções em andamento garantirão proteção à área dos pôlderes 7 e 8, incluindo o entorno do Aeroporto Internacional Salgado Filho (bairro Rubem Berta). O termo “pôlder” é utilizado para designar zonas protegidas por diques e sistemas artificiais de drenagem.

O Dmae também propôs aos governos estadual e federal a mudança da concepção das próximas etapas do projeto. Se aprovada, o plano incluirá a construção de uma grande bacia de amortecimento permanente e duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) na região.

Diques

Equipes lideradas pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) atuam na demolição de residências desocupadas no dique do Arroio Areia – a chamada “Vila Dique”. As famílias que moravam ali foram acolhidas por meio dos programas “Compra Assistida” e “Estadia Solidária”.

As obras de reconstrução devem começar assim que for encerrado o processo de remoção das casas, supressão vegetal e retirada da rede de energia elétrica ainda existente na área. A abrangência das intervenções depende, ainda, da definição sobre o projeto definitivo para os pôlderes 7 e 8.

Já no dique do bairro Sarandi, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) continua atuando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, com dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.

Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Fiergs e que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro do ano passado. Também recebeu intervenções o Muro da Mauá, no Centro Histórico, com revisão estrutural e correção dos problemas identificados.

Outros avanços

A Smoi trabalha em correções pontuais no prédio da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, para proteção da estrutura em caso de cheia do Guaíba. As obras, já iniciadas, devem estar prontas nas próximas semanas.

Permanece em andamento a implantação de dupla alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae – incluindo 22 casas de bombas de drenagem urbana. A obra, executada pela CEEE Equatorial, tem investimento de R$ 18 milhões e encerramento até novembro.

Também prosseguem as obras de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) de números 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. Já a licitação para as casas de bombas 2, 9 e 21 será realizada em setembro. Em todas as unidades, parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados a operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente.

Já as obras de proteção nas Estações de Bombeamento de Água Bruta (Ebab) Moinhos de Vento e Menino Deus foram concluídas. Ambas as intervenções incluíram a construção de câmaras de descarga junto aos poços de visita, solução que impede a entrada da água das cheias pelas estruturas de acesso às tubulações.

Também estão finalizadas as obras de proteção contra cheias nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia (Zona Norte). Novas tampas herméticas, projetadas para suportar a pressão exercida pela água em eventuais elevações do nível do Guaíba e do rio Jacuí, foram instaladas junto às tubulações.

Outra iniciativa concluída é a proteção da cidade junto à malha ferroviária, no bairro Humaitá (Zona Norte). A obra eliminou um ponto de vulnerabilidade existente no sistema desde a implantação da ferrovia, quando a cota de proteção foi reduzida. Os trabalhos ocorreram em área concedida pelo governo federal à empresa Rumo Logística.

A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias foi finalizada. Das 14 passagens existentes no sistema até a enchente histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Já nas estruturas de números 11 e 12 foram houve a substituição por novas estruturas móveis, enquanto as de números 1, 2, 4 e 6 passaram por processo completo de recondicionamento.

(Marcello Campos)

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