Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Estudo aponta que Viagra pode reduzir a metástase do câncer

Um dos medicamentos mais conhecidos e utilizados no mundo para o tratamento da disfunção erétil pode ter uma aplicação promissora no combate à disseminação do câncer. De acordo com um novo estudo, o sildenafil, princípio ativo do Viagra, demonstrou potencial para reduzir a metástase ao dificultar processos fundamentais para a propagação das células cancerígenas pelo organismo.

A metástase é considerada uma das fases mais graves da doença, pois ocorre quando células do tumor original conseguem se desprender, migrar para outras partes do corpo e formar novos focos de câncer em diferentes órgãos. Esse processo aumenta significativamente a complexidade do tratamento e está diretamente relacionado ao aumento da mortalidade. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Cancer Research, o sildenafil interfere justamente em um dos mecanismos que favorecem essa disseminação.

Os pesquisadores identificaram que o medicamento reduz a capacidade das células cancerígenas de utilizar o colesterol, uma substância essencial para que elas consigam se desprender do tumor primário, sobreviver durante o deslocamento pelo organismo e estabelecer novos tumores em outros tecidos. Ao limitar esse acesso ao colesterol, o sildenafil pode enfraquecer uma etapa importante do avanço da doença.

O funcionamento desse mecanismo está relacionado ao bloqueio de uma enzima conhecida como fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Essa ação eleva os níveis de uma molécula sinalizadora chamada guanosina monofosfato cíclico, ou cGMP, responsável por promover o relaxamento da musculatura dos vasos sanguíneos e sua consequente dilatação — efeito já conhecido e explorado no tratamento da disfunção erétil.

Entretanto, o estudo revelou uma função adicional do cGMP. A equipe descobriu que essa molécula também se liga a uma proteína encarregada de transportar colesterol para o interior das células. Como consequência, a quantidade de colesterol disponível para o funcionamento celular diminui. Segundo os cientistas, as células cancerígenas parecem ser especialmente sensíveis a essa redução, tornando-se menos capazes de iniciar o processo de metástase.

Os resultados também indicam que a combinação de medicamentos da mesma classe do Viagra com estatinas — remédios amplamente utilizados para controlar o colesterol alto — pode produzir um efeito ainda mais expressivo. Enquanto o sildenafil restringe o aproveitamento do colesterol disponível pelas células tumorais, as estatinas reduzem a produção dessa substância pelo organismo. Dessa forma, a associação das duas terapias poderia limitar tanto o acesso ao colesterol já existente quanto a capacidade das células cancerígenas de sintetizar novas reservas, ampliando o potencial de combate à disseminação do câncer.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores utilizaram diferentes métodos de investigação. O estudo reuniu experimentos com modelos de câncer em camundongos, análises de culturas de células cancerígenas obtidas de pacientes humanos e a avaliação de dados coletados ao longo de duas décadas envolvendo aproximadamente 5 milhões de pessoas. Essa combinação permitiu observar o fenômeno em diferentes contextos e reforçou a consistência dos resultados obtidos.

“Descobrimos uma nova via biológica que liga uma molécula de sinalização bem conhecida à regulação do colesterol dentro das células e mostramos como essa via pode ser aproveitada para interferir na capacidade das células cancerígenas de formar metástases”, afirmou a pesquisadora principal Ayelet Erez, do Instituto Weizmann de Ciências.

Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas destacam que novas pesquisas e estudos clínicos serão necessários para confirmar a eficácia e a segurança dessa estratégia antes que ela possa ser incorporada ao tratamento de pacientes. (Com informações do jornal O Globo)

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