Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de julho de 2026
Em reuniões familiares, aniversários, confraternizações com amigos, festas de fim de ano ou comemorações no trabalho, quase sempre surge alguém para sugerir uma foto em grupo. Enquanto muitas pessoas aceitam o convite naturalmente e fazem questão de registrar o momento, outras preferem permanecer à margem, se esconder atrás dos demais ou encontrar qualquer desculpa para não aparecer diante da câmera.
À primeira vista, esse comportamento pode ser interpretado como um sinal de timidez, insegurança ou até mesmo falta de interesse em participar da recordação coletiva. No entanto, a psicologia aponta que a explicação é mais complexa e vai muito além de simplesmente não gostar de tirar fotos. Especialistas em saúde mental afirmam que a maneira como cada indivíduo enxerga a própria imagem exerce forte influência sobre sua disposição para ser fotografado.
De acordo com os profissionais, a relação que uma pessoa estabelece com a própria aparência, sua autoestima e a forma como acredita ser vista pelos outros podem determinar o nível de conforto ou desconforto diante das câmeras. Em muitos casos, evitar fotografias não significa rejeitar o momento vivido, mas sim tentar escapar da ansiedade provocada pela exposição da própria imagem.
Pessoas com baixa autoestima ou que costumam fazer críticas constantes a si mesmas tendem a se sentir especialmente desconfortáveis ao serem fotografadas. Isso acontece porque elas frequentemente acreditam que não correspondem às próprias expectativas em relação à aparência física ou à imagem que imaginam transmitir aos demais. Como consequência, uma simples fotografia pode despertar sentimentos de frustração, vergonha ou insatisfação.
Outro fator apontado pela psicologia é o receio do julgamento externo. Em uma época em que imagens são compartilhadas instantaneamente nas redes sociais e podem permanecer disponíveis por tempo indeterminado, muitas pessoas passam a enxergar uma fotografia como uma forma de exposição pública. O medo de comentários, comparações ou críticas faz com que algumas prefiram evitar completamente esse tipo de registro.
Além disso, especialistas explicam que experiências anteriores também podem influenciar esse comportamento. Quem já foi alvo de brincadeiras, críticas ou comentários negativos sobre fotografias pode desenvolver uma associação emocional desfavorável com o ato de posar para uma câmera, tornando esse momento fonte de ansiedade mesmo muitos anos depois.
Enquanto isso, o influenciador e fotógrafo profissional Willy García abordou o tema em um vídeo publicado em sua conta oficial no Instagram. Segundo ele, em muitos casos, a aversão às fotografias está relacionada justamente a experiências negativas vividas no passado e à maneira como o cérebro interpreta a própria imagem.
“Muitas vezes, não é que as pessoas odeiem a câmera, mas sim que o cérebro associa a foto a uma experiência ruim. Há um conflito entre o que você percebe internamente e o que vê na imagem. Na psicologia, isso é muito semelhante à dissonância entre a autoimagem e o resultado final”, observou.
O fotógrafo explica que existe uma diferença importante entre a percepção que cada pessoa tem de si mesma e aquilo que uma fotografia registra. Como estamos acostumados a nos ver no espelho — onde a imagem aparece invertida —, o resultado captado pela câmera pode causar estranhamento, levando muitos indivíduos a acreditarem que “não saíram bem” na foto, mesmo quando essa percepção não corresponde à realidade.
Segundo o especialista, essa sensação também pode ser intensificada por fatores puramente técnicos da fotografia. “A câmera achata a percepção de profundidade e pode alterar certas características dependendo da lente utilizada. Se você observar, as pessoas nunca dizem: ‘A foto ficou ruim’, mas sim: ‘Eu estou com uma aparência ruim na foto’. Mas o problema quase nunca é a pessoa. É o contexto, a iluminação, a direção, a interpretação da linguagem corporal e muitos outros fatores”, explicou. (Com informações do jornal O Globo)