Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mulher leva 30 picadas de abelha por semana para controlar doença; entenda

Uma norte-americana compartilhou que passa semanalmente por um tratamento inusitado: Savannah Spoor leva 30 picadas de abelha aplicadas diretamente por ela mesma. Esta foi a solução encontrada pela mulher de 23 anos para amenizar seu quadro de doença de Lyme.

O diagnóstico demorou anos para acontecer, mas quando veio, em 2023, ela já havia procurado por respostas em médicos de todas as especialidades.

“Ninguém deseja um resultado positivo no teste, mas quando você passa anos procurando respostas, a única coisa pior do que receber um diagnóstico é não receber nenhum. Então, lembro de me sentir realmente validada. Foi reconfortante saber que havia uma razão real para eu não estar me sentindo bem”, conta em entrevista à People.

A doença de Lyme é uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos hematófagos (que se alimentam de sangue) da espécie Ixodes, infectados pela bactéria Borrelia burgdorferi e que costuma causar lesões na pele, dores articulares e, em casos mais graves, pode afetar o sistema nervoso e o coração. A condição acomete famosos como Justin Bieber, Bella Hadid e Justin Timberlake.

De acordo com Savannah, seus sintomas começaram a surgir em 2021, quando ela tinha 18 anos, mas não causaram alarme por serem leves e ela estar vivendo o início de sua vida universitária. No entanto, em 2023, eles pioraram de uma hora para outra.

Questões como dificuldade para mais andar com firmeza e dirigir, tontura, dores de cabeça, náuseas, dores nas articulações, dormência, dificuldade para se lembrar das palavras e alterações na visão e na audição, passaram a afetar suas atividades diárias.

“Eu não conseguia viajar, não conseguia sair para jantar e, no pior momento, nem me sentia confortável dormindo sozinha. Minha experiência foi completamente diferente da dos meus colegas. Acho que a maioria deles nem conseguia compreender o que eu estava passando ou a profundidade do sofrimento que eu estava vivenciando”, relembra.

Ela conta que para quem convive com a doença, a opção do tratamento com picada de abelhas só é indicado em último caso, então ela esgotou todas as opções anteriores antes de iniciá-lo. Porém, no final de 2023 sentiu que nada estava surtindo efeito para controlar os sintomas.

A norte-americana começou um curso de como fazer a aplicação das picadas nela mesma e lembra como foi assustador no início.

“É doloroso, desconfortável e não é tarefa fácil. Há um ditado que diz: ‘A terapia com veneno de abelha não dói tanto quanto a doença de Lyme’”, diz.

Atualmente, ela administra 10 picadas três vezes por semana, totalizando as 30 picadas. O processo leva, ao todo de 10 a 15 minutos. E, segundo ela, surtiu efeito e devolveu sua qualidade de vida. Ainda, sobre o método, Savannah afirma utilizar abelhas no fim da vida, devolvendo tanto as que não irá utilizar e as que morrem para a natureza.

Por outro lado, o tratamento aprovado por autoridades médicas para doença de Lyme se baseia no uso de antibióticos, que apresentam um efeito ainda mais eficaz quando utilizados nos primeiros estágios da doença. Além disso, outros medicamentos também podem ser indicados, como anti-inflamatórios não esteroides, no caso de dor nas articulações.

Já a aplicação do ferrão de abelhas não apresenta comprovação científica, nem se trata de um tratamento amplamente indicado pelos médicos.

Doença

— Os sintomas mais comuns da doença são:

* Uma placa de vermelhidão no mesmo local da picada;
* Calafrios;
* Fadiga;
* Dores nos músculos do corpo inteiro;
* Rigidez do pescoço; e
* Dores de cabeça e garganta.

— As etapas de desenvolvimento da doença de Lyme

* Etapa precoce localizada: fase compreendida pela picada do carrapato e o surgimento do eritema migratório (EM), com manchas avermelhadas pelo corpo do hospedeiro;

* Etapa de disseminação prematura: fase com a predominância dos sintomas mais comuns, em que podem ser confundidos com os de outras doenças;

* Etapa crônica tardia: fase mais longa dentre as três, podendo durar meses ou anos. Nela, é necessário um tratamento adequado, para que os sintomas podem não sejam recorrentes e evoluam para complicações reumatológicas e neurológicas mais graves. O hospedeiro da bactéria pode desenvolver novos sintomas, associados a problemas cardíacos, mau funcionamento cognitivo, e a paralisia dos nervos da face (paralisia de Bell). (Com informações do jornal O Globo)

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