Segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Filho de Erasmo deixa a equipe de Roberto Carlos: “Decisão amigável”

Filho do cantor e compositor Erasmo Carlos (1941-2022), Leonardo “Léo” Esteves não faz mais parte da equipe responsável pelos shows de Roberto Carlos. O empresário, que cuidava da contratação das apresentações do Rei, encerrou a parceria profissional com o artista. A informação foi anunciada pela assessoria do “Rei”, por meio de comunicado que define o encerramento como “decisão amigável” e “em comum acordo entre as partes”.

A agenda de Roberto não foi afetada. Os shows que já haviam sido contratados por Leonardo serão realizados normalmente, sem alterações no cronograma. O cantor tem apresentações previstas para os próximos meses em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Campinas e Santos, além do tradicional cruzeiro de fim de ano.

Esteves já possuía longa trajetória nos bastidores da carreira de Erasmo antes de assumir a gestão dos shows do principal parceiro do pai. Ele passou cerca de dez anos à frente do gerenciamento da carreira de Erasmo e começou a cuidar da agenda de Roberto Carlos em 2023. A nova parceria durou aproximadamente três anos.

Dupla de sucesso

A parceria entre o capixaba Roberto Carlos e o carioca Erasmo Carlos ultrapassou os limites da música para se tornar uma das uniões mais duradouras da cultura brasileira. Eles se conheceram no Rio de Janeiro durante a juventude, através de uma paixão em comum: o rock and roll.

Erasmo, que já integrava a turma do Matoso com Jorge Ben e Tim Maia, aproximou-se de Roberto no fim da década de 1950. Mal sabiam que ali nascia a espinha dorsal do pop nacional. A cumplicidade profissional ganhou tração com a Jovem Guarda nos nos 1960.

Sob a liderança do “Rei” e do “Tremendão”, o movimento ditou o ritmo, o comportamento e a moda do país. Juntos, compuseram hinos como “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” e “Festa de Arromba”. A fórmula era infalível: Roberto entrava com a sensibilidade melódica e o apelo popular, Erasmo trazia a rebeldia, o vigor do rock e a poética das ruas.

Na década seguinte, a dupla provou sua versatilidade ao migrar do rock juvenil para o romantismo adulto e sofisticado. Dessa transição surgiram obras-primas como “Detalhes”, “Sentado à Beira do Caminho” e “Sua Estupidez”. O processo criativo era simbiótico: muitas vezes, um completava frases e melodias do outro (e vice-versa) por telefone, em um nível de entendimento quase telepático.

Erasmo orgulhava-se de ser o principal arquiteto do repertório que consagrou Roberto como o maior vendedor de discos do Brasil. Na esfera pessoal, a relação era de pura fraternidade. Chamavam-se publicamente de “irmãos”.

Cada um à sua maneira, passaram por casamentos, perdas familiares e crises criativas oferecendo suporte mútuo. Roberto enfrentou o luto de suas esposas com o apoio silencioso e firme de Erasmo. Já Erasmo encontrou no amigo a força necessária em seus momentos de saúde fragilizada. A morte de Erasmo em 2022 encerrou o ciclo físico da dupla, mas consolidou um legado imortal de mais de 500 canções que fazem parte a história de gerações de brasileiros. (com informações de O Globo)

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