Domingo, 16 de junho de 2024

Filme narra ascensão e crises do ex-bilionário Eike Batista

Para espectadores que se acostumaram a ver Nelson Freitas no humorístico Zorra Total, será talvez surpreendente vê-lo interpretar o empresário Eike Batista em “Eike: Tudo ou Nada”, que estreia nesta quinta-feira (22). O longa produzido por Tiago Rezende e realizado por Andradina Azevedo e Dida Andrade, que também assinam o roteiro, baseia-se no livro “Tudo ou Nada: Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X”, de Malu Gaspar.

Para Nelson Freitas, a história não é só de Eike Batista. “O filme narra uma história triste do Brasil”. E os diretores: “Pelo tamanho, pelo fato de ser uma adaptação e a história real de um personagem conhecido, Tudo ou Nada não se assemelha a nenhum filme que fizemos antes, mas justamente isso foi o que nos impulsionou”.

Outro fator foi a carta branca. Andradina e Dida foram premiados em Gramado por seus filmes anteriores – A Bruta Flor do Querer e 30 Anos Blues. O primeiro, principalmente, dividiu a crítica. Foram chamados, entre outras coisas, de machistas. Contar a história de Eike Batista poderia corroborar o insulto. Afinal, Eike foi casado com uma das mulheres mais belas e desejadas desse País. Luma de Oliveira foi rainha da bateria de escola de samba e, brincadeira ou não, desfilou com uma “coleira” com o nome de Eike, o que gerou muitas reações.

Prisão

A primeira surpresa é verificar que o filme coloca o foco na carreira empresarial de Eike. O episódio Luma reduz-se a um filme dentro do filme, de cerca de dez minutos, ou pouco mais. O garoto Eike foi direcionado pela mãe para vencer. Chegou a ser um dos homens mais ricos do mundo. Perdeu toda a fortuna conquistada na prospecção do petróleo. Foi preso.

Do underground – seus filmes anteriores foram produções de baixíssimo orçamento – à produção bancada por uma das principais empresas produtoras e distribuidoras do cinema brasileiro, a Paris Filmes, o salto foi grande. O repórter provoca: parece um filme de Adam McKay. Dida rebate. “Entendo o que você diz e a gente até pensou nele. Usamos o que gostamos e suprimimos o que não nos agrada em seus filmes do Oscar.” A saber, A Grande Aposta, sobre a crise da bolsa norte-americana em 2008, e Não Olhe para Cima, sobre dois astrônomos que descobrem um cometa em rota de coalizão com a Terra e lutam para convencer as autoridades do perigo.

Como o Chatô, de Guilherme Fontes, o filme pretende ser também uma interpretação do Brasil. “Com certeza”, concorda Dida. Não por acaso a trilha nutre-se de diferentes versões, instrumentais ou cantadas, de Aquarela do Brasil, o clássico de Ary Barroso.

Eike, que se fez brasileiro – proclama-se um patriota – é mais um devorado pelo Brasil. Psicanaliticamente, é confrontado sempre com o fantasma do pai. Corre atrás dele, sem conseguir alcançá-lo. É a história de um fracasso, por mais que Eike termine o filme acreditando na possibilidade de seu reerguimento.

Novos rumos

Um glorioso fracasso, e uma belíssima interpretação do ator Nelson Freitas. Ele espera que o filme, ao revelar outra face do seu talento, abra novos rumos para sua carreira. O repórter arrisca que Freitas será indicado por sua atuação para o próximo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. “Jura? Você acha?”

São muitas as citações e referências. Andradina e Duda assinam a direção e o roteiro. Andradina tem o crédito da fotografia. Dida concentrou-se na direção e no elenco. Até quando vão trabalhar juntos? “Por mim, sempre”, diz Dida. “A gente briga, é verdade, mas vou aguentar sempre esse cara pelas ideias maravilhosas que vive me dando.”

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