Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
A quinta edição do evento Eloos, que ocorreu nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte, reuniu empresários, advogados e políticos para discutir um dos temas que envolvem o fortalecimento da indústria brasileira: o fim da escala 6 x 1.
O painel “Escala e escassez: o novo pacto do trabalho na indústria e nos serviços”, debateu a proposta. O Eloos é uma parceria entre a Itatiaia e a CNN Brasil.
A mesa reuniu Cássia Marize Hatem Guimarães, secretária-geral adjunta da OAB-MG e presidente da Amat (Associação Mineira da Advocacia Trabalhista); Raphael Lafetá, presidente do Sinduscon-MG (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais), o prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD), e Bruno Ligório, presidente do Sicepot-MG (Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais).
Bruno Lisório afirmou que a melhora econômica do país depende diretamente de mais produtividade e que mudanças legislativas isoladas não são suficientes para gerar riqueza. Segundo ele, o debate sobre a jornada de trabalho deve ser discutido de maneira mais ampla, que leve em conta também o Custo Brasil e investimentos em infraestrutura.
“Precisamos colocar na mesa os reais problemas do país e do Estado para pensar no longo prazo e sair do discurso populista de curto prazo. Não existe aumento de riqueza sem aumento de produtividade, e é uma ilusão achar que canetada ou alteração constitucional vai fazer o país prosperar se não se cria um ambiente para isso”, disse.
“Precisamos trazer o trabalhador para o centro da discussão. O Brasil tem taxa de informalidade alta. Será que a legislação está funcionando? Precisamos discutir também aumento de renda”.
Já o prefeito de Contagem opinou que o número da informalidade no país estaria relacionado ao custo da mão de obra. Ricardo Faria disse afirmou achar “um desaforo” para o empresário ser tributado na folha de pagamento.
“Pagar imposto para gerar mão de obra é inadmissível. Se a gente não modernizar, não tiver mais espaço para o empresário conversar com o trabalhador, vamos criar cada vez mais informalidades nessa relação. Precisamos criar mecanismos para isso, não é o Estado querer participar dessa negociação burocratizando, criando imposto”.
“Temas complexos têm soluções complexas”, complementou. Faria acrescentou que o município de Contagem, que fica na região metropolitana de Belo Horizonte, tem cerca de 700 mil habitantes e 15 mil funcionários públicos. De acordo com o ele, o impacto financeiro na cidade com o fim da 6×1 seria em torno de R$ 6 milhões a R$ 9 milhões por ano.
“Precisamos ter responsabilidade, todo mundo quer ter qualidade de vida e melhores remunerações, mas isso precisa ser discutido de maneira responsável, precisa ser um debate maduro”, afirmou.
Cássia, da Amat, destacou que a discussão é ampla e envolve, além da jornada, temas como metas de funcionários. Ela deu o exemplo do setor bancário, em que a carga horária é de seis horas por dia, cinco dias da semana.
“Tradicionalmente, é o setor que mais adoece. Se os trabalhadores estão adoecendo, a questão não é só jornada. O novo pacto de trabalho tem que ser construído junto, ouvir o trabalhador e a empresa porque são as partes que podem negociar e conhecem o chão de fábrica.”
Lafetá levou o ponto de vista do setor da construção civil, que projetou um crescimento acima do Produto Interno Bruto do país. Ele afirma que, se a 6×1 chegasse ao fim hoje, o estado precisaria de 270 mil trabalhadores a mais para manter o nível de produção atual.
“A escala não é só o principal problema, mexer nela não resolve se não se mexer nos processos produtivos e burocracia. Discutir a escala sozinha não me parece inteligente, precisamos discutir a estrutura como um todo. A CLT é do século passado, com outra realidade de mundo, país e vida, então a discussão merece atenção maior de legisladores, população e da sociedade civil.”