Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de agosto de 2026
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descartou nessa terça-feira (11) a possibilidade de substituir Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de sua chapa e fez uma defesa pública do aliado, que passou a ser alvo de questionamentos após suspeitas envolvendo uma acusação de estupro de vulnerável e de desvios de emendas parlamentares.
O senador afirmou ter “confiança” no deputado, a quem classificou como uma “pessoa preparada” e “de coragem”. Gaspar é alvo de um procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado a uma acusação de estupro de vulnerável, que ele nega.
Flávio atribuiu os questionamentos sobre Gaspar à atuação do deputado nas investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
“Foi exatamente no momento em que ele estava ali defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha, que foi feito isso contra ele. É uma pessoa do bem, uma pessoa preparada, da área da segurança pública, de quem temos confiança, de coragem”, afirmou Flávio.
O caso que está no pano de fundo das especulações tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se endossa um pedido da Polícia Federal (PF) para a abertura de inquérito destinado a investigar uma acusação feita por parlamentares de um suposto estupro de vulnerável pelo deputado. Na semana passada, Gilmar encaminhou à PF uma solicitação da PGR para que haja diligências adicionais antes de decidir se há ou não elementos para a abertura de uma investigação.
O episódio veio à tona em março, durante a CPMI do INSS, da qual Gaspar foi relator. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), adversários do parlamentar na comissão, acionaram a Polícia Federal para pedir a apuração de “fatos graves” aos quais afirmaram ter tido acesso.
Na representação, os parlamentares relataram ter recebido documentos segundo os quais uma menina, então com 13 anos, teria sido estuprada, engravidado e tido um filho. O episódio teria ocorrido há oito anos. Os autores do pedido não apresentaram provas naquele momento, sob a justificativa de preservar a adolescente e a mãe.
Gaspar nega ter cometido crime e afirmou desejar fazer um exame de DNA para comprovar sua inocência. Depois que as acusações vieram a público, o deputado também entrou com ações no Supremo contra Lindbergh e Soraya e disse ter disponibilizado seu material genético para eventual exame.
Em nota, Gaspar classificou as acusações como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis” e afirmou que se tratava de uma tentativa de desviar o foco das investigações sobre o INSS.
Emendas
Além da acusação dos parlamentares, Gaspar também teve uma emenda sua alvo de um procedimento do STF na semana passada. O ministro Flávio Dino mandou a PF apurar se há indícios de crimes na execução de R$ 55,4 milhões na modalidade Pix. A decisão do magistrado se baseia em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou “falhas sistêmicas” no controle dos recursos entre 2020 e 2024.
Entre as emendas listadas pelo TCU está uma de R$ 6,2 milhões enviadas por Gaspar para São José da Laje (AL), a 100 quilômetros da capital, Maceió. Segundo a auditoria, não é possível saber como o dinheiro foi gasto pela administração municipal.
Gaspar afirmou não ser investigado no procedimento que apura a aplicação dos recursos e que cabe à prefeitura de São José da Laje prestar contas. “As emendas parlamentares foram destinadas de forma regular ao município, conforme a legislação, cabendo exclusivamente à prefeitura a execução dos recursos e a respectiva prestação de contas”, disse, acrescentando que “confia no trabalho dos órgãos de controle”. A prefeitura também foi procurada, mas não respondeu. (Com informações do jornal O Globo)