Domingo, 26 de julho de 2026

Jornais argentinos repercutem discurso de Javier Milei em convenção de Flávio Bolsonaro: ‘Tensão com o Brasil está mais alta do que nunca’

A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República repercutiu na imprensa argentina neste domingo (26). Os principais jornais do país destacaram o tom do discurso do líder argentino, marcado por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e avaliaram que o episódio elevou a tensão diplomática entre os dois países.

Durante o evento, realizado em São Paulo, Milei chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. As declarações foram feitas diante de apoiadores de Flávio Bolsonaro e foram recebidas com aplausos da plateia.

O Clarín afirmou que “a tensão com o Brasil está mais alta do que nunca” após as “fortes ofensas” dirigidas por Milei ao presidente brasileiro. O jornal destacou que o argentino “se envolveu completamente na campanha brasileira” ao participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e fazer um discurso “repleto de insultos” contra Lula.

O El Tiempo descreveu Milei como a “estrela” do evento e afirmou que o presidente argentino viajou a São Paulo para oferecer apoio internacional à candidatura de Flávio Bolsonaro. O jornal observou que, embora parte do público não compreendesse espanhol, os ataques a Lula eram recebidos com aplausos sempre que Milei elevava o tom da voz.

A publicação também destacou que o argentino evitou chamar o presidente brasileiro pelo nome, referindo-se a ele como “Dom Lula”, “o esquerdista”, “ladrão” e “o prisioneiro”. O jornal ainda afirmou que Milei “insistiu no erro” ao acusar Lula de “tentar fraudar as eleições de 2023 a seu favor”, quando enfrentou Sergio Massa.

Para o El Tiempo, a presença do presidente argentino representou um trunfo para a campanha de Flávio Bolsonaro:

“Para a campanha de Flávio, a presença de Milei foi um trunfo significativo: sua candidatura está atrás nas pesquisas – o Datafolha coloca Lula com 48% contra 43% em um possível segundo turno, com uma diferença que aumentou um ponto percentual desde junho – e ele é assolado por escândalos, como a investigação aberta na quinta-feira sobre transferências de um banqueiro preso para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, e uma disputa pública com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que prejudicou sua imagem entre eleitores evangélicos e mulheres”, diz a publicação.

Já o Página/12 adotou um tom mais crítico ao tratar da visita. Em sua publicação, o jornal classificou o episódio como uma interferência “descarada” nas eleições brasileiras e afirmou que Milei cruzou “uma nova linha vermelha” ao insultar Lula em território brasileiro.

“O presidente, que fantasia em criar seu próprio ‘Grupo Lima’ e se tornar uma figura de destaque da direita regional, cruzou uma nova linha vermelha ao chamar seu homólogo brasileiro de ‘ladrão’. Ele também chamou o juiz Alexandre de Moraes, que lhe negou um confronto com Jair Bolsonaro, de ‘lixo careca’. Ao fazer isso, ele mergulhou de cabeça na campanha eleitoral do país vizinho, que definiu como uma ‘batalha’ para continuar erradicando o socialismo da região”, diz o texto.

Segundo a publicação, o presidente argentino busca se consolidar como uma das principais lideranças da direita na América Latina e acredita que pode influenciar a disputa presidencial no Brasil. O Página/12 também comparou o episódio aos ataques feitos por Milei ao primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e afirmou que as declarações representam uma resposta ao apoio demonstrado por Lula ao então candidato Sergio Massa durante a eleição presidencial argentina de 2023. (Com informações do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

1,4 milhão de profissionais ainda enfrentam desafios de regulamentação e compliance
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play