Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de agosto de 2026
O juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Milton Lívio Lemos Salles, que viralizou nessa terça-feira (11), após entornar uma garrafa de vinho e fumar durante uma audiência em que usava bermuda, além de acusar colegas da Corte estadual e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de corrupção, recebeu R$ 531 mil em salários – valores líquidos – desde o início do ano.
Depois de ser flagrado na segunda (10), bebendo vinho no gargalo, acendendo um cigarro com um maçarico e vestindo bermuda durante uma sessão virtual, Salles gravou um vídeo em que acusa a Corte mineira de “difamação” e afirma que o Tribunal de Minas, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o STF e Alexandre de Moraes “são todos corruptos”. Há 36 anos na carreira, Salles diz ter “conhecimento de causa” sobre as acusações.
De janeiro a julho de 2026, Salles recebeu R$ 531.579,72 em salários. Foram R$ 88.744,24 em janeiro, R$ 63.600,26 em fevereiro, R$ 106.424,14 em março, R$ 82.058,15 em abril, R$ 44.296,77 em maio, R$ 62.872,61 em junho e R$ 83.583,55 em julho.
Nessa terça, o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, determinou o afastamento imediato de Salles após a publicação do vídeo em que faz acusações. A decisão antecipou a reunião do Órgão Especial do Tribunal, que estava prevista para esta quarta (12), para definir as medidas a serem tomadas diante do episódio do vinho e do cigarro.
“Olha, estou cansado, muito cansado. Estou no Rio, tomando meu café e curtindo minha mulher. Sei de muita coisa desse tribunal”, alega o juiz no vídeo de 14 segundos publicado nas redes sociais, referindo-se ao Tribunal de Minas.
“Sei de corrupção do Nelson Missias, do Gilson Lemos, do Luiz Carlos, do Vicente, da compra de mais de 170 Corolas híbridos. Vocês me dão vergonha. Sabe por quê? O tribunal não existe”, afirmou, citando nomes de colegas do Tribunal de Minas.
Vicente de Oliveira Silva é o atual presidente do TJ de Minas. Gilson Lemos é ex-presidente do tribunal. Luiz Carlos Corrêa Júnior foi corregedor-geral; Nelson Missias também foi presidente da Corte mineira.
“Hoje só existe computador e os prédios vazios, custando luz, energia e funcionários. Eu tenho coragem de bater no peito. Meu nome é Milton Lívio Lemos Salles, filho do Tibagy Salles (ex-desembargador do TJ de Minas)“, seguiu.
Ao final de sua manifestação, ele fez um desafio: “E se alguém quiser bater de frente comigo, em alguma TV, no Jornal Nacional, o que é que seja, eu estou à disposição. Muito obrigado.” (Com informações de O Estado de S. Paulo)