Quarta-feira, 06 de maio de 2026

Justiça gaúcha manda soltar mulher filmada ao matar cão a golpes de picareta

Após audiência no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), uma investigada como autora das mortes de dezenas de cães na Zona Leste de Porto Alegre teve sua prisão em flagrante homologada nessa terça-feira (5) pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que no entanto concedeu a ela liberdade provisória. Trata-se da mesma mulher filmada ao atingir fatalmente um dos animais com golpes de picareta.

A juíza Michele Scherer Becker levou em conta na decisão a análise da legalidade da prisão, circunstâncias do fato e condições pessoais da investigada. Dentre os motivos está o fato de a investigada ser considerada, tecnicamente, como primária.

Para permanecer solta enquanto corre o processo, a mulher – de 32 anos – terá que cumprir uma série de exigências cautelares, como comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, frequência em serviço de atendimento psicológico e proibição de manter sob sua guarda qualquer tipo de animal.

No caso do cachorro morto com golpes, o ataque teria sido cometido em novembro do ano passado, no pátio da casa da mulher, no bairro Aparício Borges. A gravação em vídeo foi encaminhada em abril ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e, nos últimos dias, acabou sendo veiculada também nas redes sociais, causando indignação por parte do público.

MPRS

O Ministério Público gaúcho se manifestou durante audiência de custódia, por meio do promotor Roberto Taborda Masiero. Ele apresentou parecer destacando a gravidade da situação verificada, com indícios suficientes da prática do crime de maus-tratos, conforme previsto na legislação penal.

Também foram ressaltadas as circunstâncias envolvendo outros animais resgatados na residência da investigada. O processo que apura novos casos de maus-tratos a animais, encontrados sem acesso a água e alimentação adequadas, mantidos em ambiente insalubre.

Ainda conforme o promotor, a manutenção de animais sem água, comida e em local inadequado configura situação de extrema crueldade e afronta direta à legislação de proteção animal, exigindo resposta firme do sistema de Justiça para evitar a repetição de crimes dessa natureza.

“Esclarecemos que a audiência de custódia não analisou nem tratou do episódio ocorrido anteriormente, em novembro do ano passado, que resultou na morte de um cão, fato que é objeto de procedimento próprio”, ressalta o portal mprs.mp.br. “Esse antecedente foi considerado como elemento de contexto, a fim de demonstrar a reiteração de condutas semelhantes, reforçando a necessidade de adoção de medidas mais rigorosas no caso atual.”

(Marcello Campos)

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