Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de agosto de 2026
A pouco mais de 60 dias para o primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializa, neste domingo (2), sua candidatura à reeleição ao Palácio do Planalto durante a convenção nacional do PT, em São Paulo. Aos 80 anos, o petista chega ao evento sem a intenção de fazer grandes promessas durante a campanha, mas com o objetivo de consolidar uma espécie de legado de sua trajetória política. Sua última disputa terá como foco a defesa da democracia, da soberania nacional e de suas ações na área econômica, além da aposta nos erros de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para atrair o eleitorado independente, descolado do lulismo e do bolsonarismo.
A convenção nacional do PT está marcada para a manhã de domingo no Expocenter Norte, na capital paulista, e oficializará a repetição da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) na vice para a disputa presidencial. Com capacidade estimada em até 3,5 mil pessoas, a organização do partido calcula lotar o espaço.
A escolha de São Paulo cumpre um duplo objetivo estratégico: fortalecer a imagem de Lula no maior colégio eleitoral do país e impulsionar o candidato petista ao governo estadual, Fernando Haddad. Embora apareça atrás nas pesquisas do governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad é tratado internamente como um nome “natural” para suceder Lula em 2030.
Para evitar um evento cansativo, o formato da agenda será enxuto e direto, e deve ter apenas quatro oradores: Haddad, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, Alckmin e o próprio Lula. Embora parte da legenda tenha resistido inicialmente à inclusão de Haddad entre as falas, aliados próximos convenceram a cúpula do partido a abrir espaço para o ex-ministro.
Embalado por um jingle inspirado no “Rap do Silva”, que busca associar a trajetória do presidente à de um trabalhador comum, o evento também reunirá presidentes de siglas da base aliada, além de candidatos a governos estaduais e ao Senado. Apesar da presença de caciques políticos, a campanha trata o encontro de domingo como um rito protocolar.
O foco da equipe petista está voltado para o dia 16, data do primeiro grande ato de campanha de Lula, marcado para o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco de assembleias dos metalúrgicos do fim da década de 1970, que projetaram Lula nacionalmente como líder sindical. Com capacidade para 40 mil pessoas, o comitê petista quer lotar o local para criar um paralelo visual entre o início e o encerramento da trajetória política do presidente.
Diferentemente de adversários que ainda enfrentam indefinições às vésperas do início oficial das eleições, Lula chega à convenção partidária com a chapa de vice consolidada e os principais palanques estaduais alinhados. A avaliação da campanha é de que o petista tem se beneficiado dos erros de seus concorrentes, tática que será explorada nas próximas semanas.
Por conta disso, o discurso do presidente deve ser pautado em três pilares: enaltecer os dados econômicos de sua gestão, a defesa da democracia e da soberania nacional. O chefe do Executivo não deve fazer propostas de governo ambiciosas e, assim, evitar novidades na campanha, apostando na ideia de manter o legado que foi retomado quando voltou ao Palácio do Planalto em 2023.
Por outro lado, a opção por evitar propostas governamentais ambiciosas e apostar na consolidação do legado petista gera apreensão em setores da base aliada. Interlocutores de Lula avaliam que a repetição da chapa com Alckmin, originalmente costurada em 2022 para estreitar laços com o empresariado e representar uma frente ampla, repete uma fórmula sem esforço genuíno de expansão de diálogo com o setor produtivo nos últimos anos, o que, segundo aliados, pode limitar o potencial de crescimento de Lula no pleito.
O presidente enfrenta um cenário acirrado na disputa contra Flávio. Lula tem 40% das intenções de voto contra 32% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. Em um eventual segundo turno, Lula teria 48% e Flávio 43%. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre os desafios da campanha de Lula estão tentar reduzir a rejeição do petista – que chega a 46% (ante 48% de Flávio), melhorar a avaliação positiva do governo (com 32% de ótimo/ bom, 38% de ruim/ péssimo e 29% de regular), além da aprovação do governo, de 49%, quase empatada com a desaprovação, de 48%, segundo a pesquisa DataFolha.
A candidatura do presidente ainda busca formas de atrair os chamados eleitores independentes, que não são lulistas nem bolsonaristas, e de tentar convencê-los a dar a Lula seu quarto mandato, mesmo sem compromissos de campanha que sejam vistos como uma “bomba fiscal” ou eleitoreiros. Com informações do Valor Econômico.