Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de agosto de 2026
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acionou a Justiça contra três políticos por vídeos publicados nas redes sociais que utilizam inteligência artificial e outros recursos de edição para associar sua imagem a supostas práticas criminosas. Entre os alvos estão o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
A ação contra Alfredo Gaspar questiona um vídeo que apresenta Lulinha como “estrela da corrupção” e utiliza imagens manipuladas digitalmente para inseri-lo em uma narrativa relacionada a supostos crimes. Segundo Marcelo Pacheco, advogado de Fábio Luís, o material descontextualiza imagens e acontecimentos e cria, por meio de recursos de inteligência artificial, uma associação entre o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e condutas ilícitas que, segundo a defesa, não possuem respaldo factual.
Os advogados também contestam a afirmação “eles roubaram”, utilizada na produção. Para a defesa, o conteúdo ultrapassa os limites da crítica política ao atribuir diretamente a Fábio Luís a prática de crimes.
As três ações apresentadas por Lulinha têm como alvo conteúdos publicados por políticos nas redes sociais. Além de Alfredo Gaspar, foram acionados Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. A defesa argumenta que as produções recorrem a ferramentas de inteligência artificial, montagens, animações e outras técnicas para criar situações que não teriam ocorrido na realidade.
No processo contra Flávio Bolsonaro, o questionamento envolve o vídeo intitulado “Missão localizar Lulinha”. Conforme os advogados, a produção combina uma fotografia real de Fábio Luís com elementos criados digitalmente e o coloca em uma narrativa relacionada às fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A defesa afirma que o conteúdo apresenta Lulinha como suspeito de participação no esquema de desvio de recursos, embora, segundo os advogados, não exista base factual para sustentar essa acusação. Para eles, o emprego de inteligência artificial aumenta a aparência de realidade da narrativa e pode levar o público a interpretar como verdadeiras situações que não aconteceram.
Já a ação apresentada contra Romeu Zema envolve os vídeos “Os Intocáveis” e “A casa caiu”. De acordo com a defesa, as produções utilizam animações, montagens e outros recursos audiovisuais para inserir a imagem de Fábio Luís em narrativas que o relacionam a investigações, esquemas ilícitos e práticas criminosas.
Nos três processos, os advogados sustentam que a utilização de inteligência artificial e de ferramentas de manipulação de imagem permite produzir cenas, falas e situações inexistentes. A alegação é de que esses recursos podem fazer com que conteúdos fictícios sejam apresentados ao público com aparência de acontecimentos reais.
A defesa afirma ainda que as ações não têm como objetivo impedir críticas políticas, sátiras, manifestações de humor ou caricaturas. Segundo os advogados, a contestação judicial se concentra em conteúdos que, na avaliação deles, ultrapassam esses limites ao atribuir a Fábio Luís a prática de crimes sem fundamento.
Entre os pedidos apresentados à Justiça estão a retirada dos vídeos das redes sociais e a proibição de novas divulgações de conteúdos semelhantes envolvendo a imagem de Lulinha.