Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de agosto de 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reencontrou nessa terça-feira (11) Flávio Bolsonaro (PL) pela primeira vez desde a crise que marcou a montagem da campanha presidencial e afirmou ter colocado “uma pedra” sobre o episódio. Os dois, que haviam selado uma reconciliação por meio de vídeos publicados nas redes sociais, ficaram frente a frente na sede jurídica da campanha, em Brasília, onde conversaram, oraram juntos e gravaram materiais eleitorais.
Ao deixar o encontro, Michelle tratou o desentendimento como superado, mas reconheceu que a relação com o enteado ainda passa por um processo de reacomodação.
“Colocamos uma pedra. A desavença existe. Qual família é perfeita? Levanta a mão quem não tem problema na família. Mas, graças a Deus, a gente conversou, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”, afirmou.
Na sequência, acrescentou:
“Eu não guardo mágoa de ninguém. Meu coração é limpo, graças a Deus, até porque, se eu guardar mágoa, eu que não vou conseguir viver. Então, estou livre desse sentimento. Acho que as coisas vão se ajustando aos poucos.”
Michelle chegou à sede jurídico da campanha no início da tarde, durante o encontro promovido por Flávio com candidatos ao Senado apoiados pelo presidenciável em diferentes estados. A ex-primeira-dama participou das gravações com o enteado e produziu conteúdos que serão usados nas redes sociais e na propaganda eleitoral.
Segundo relatos de pessoas que acompanharam a movimentação, a interação foi amistosa. Antes das gravações, Michelle e Flávio ficaram sozinhos em uma sala, conversaram sobre a campanha e oraram juntos. Ao comentar o encontro depois, ela reforçou que a relação havia sido recomposta.
“Oramos juntos e está tudo certo”, disse.
A ex-primeira-dama também confirmou que pretende participar da campanha presidencial, mas deixou claro que sua atuação presencial será limitada pela rotina de cuidados com Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Michelle afirmou que ainda não sabe se conseguirá viajar pelo país para acompanhar o enteado.
“Eu acho que a base já está pronta. A gente percorreu o Brasil por um ano justamente pensando nas eleições de 2026, para que o nosso candidato tivesse o apoio do público feminino”, afirmou. “Viajar, eu não sei como vai ser. Acho que a gente vai ver um dia de cada vez, vai tentar se organizar, mas ele pode contar comigo nas redes sociais e contar também com a força feminina que está espalhada pelo Brasil.”
Michelle relatou que a própria ida à sede da campanha nessa terça exigiu uma reorganização de sua rotina em casa. Segundo ela, precisou deixar as tarefas relacionadas a Bolsonaro encaminhadas e pedir que uma funcionária permanecesse por mais tempo na residência enquanto participava das gravações.
“Para eu estar aqui hoje pela manhã já não foi tão fácil. Eu tenho que deixar tudo pronto em casa e pedir ajuda para a minha funcionária, para ela poder ficar um pouquinho mais de tempo até eu chegar”, afirmou.
A restrição ajuda a explicar o modelo de participação desenhado para Michelle na campanha presidencial. A expectativa é que ela faça apenas alguns eventos presenciais ao lado de Flávio, enquanto terá presença mais frequente em vídeos, redes sociais e outras peças de propaganda. Ao falar de seu papel, a ex-primeira-dama destacou a estrutura feminina construída durante o período em que comandou o PL Mulher.
“Sem autonomia”
O reencontro encerra um período de afastamento iniciado durante a montagem da candidatura presidencial. Michelle entrou em choque com decisões tomadas por Flávio e pela direção do PL, sobretudo após divergências sobre a composição eleitoral no Ceará. A crise levou o presidenciável a publicar um vídeo pedindo desculpas à ex-primeira-dama. Ela respondeu que aceitava o pedido e o perdoava, mas os dois ainda não haviam se encontrado pessoalmente desde então.
Nessa terça, Michelle voltou a falar sobre o episódio e disse considerar o desgaste uma “página virada”.
“Agora é página virada e todos unidos vamos trabalhar para a gente resgatar o nosso Brasil”, afirmou.
Apesar do tom de reconciliação, a ex-primeira-dama voltou a expor incômodos com a condução do PL. Michelle afirmou que, quando assumiu o PL Mulher, havia recebido autonomia para construir diretórios estaduais e trabalhar candidaturas femininas, mas que essa liberdade não foi integralmente preservada. Segundo ela, pretendia indicar 17 mulheres nas eleições deste ano.
“Não foi tão respeitado no quesito de autonomia para trazer a mulher para a política”, afirmou. (Com informações do jornal O Globo)