Quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de agosto de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tende a negar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para enviar para a primeira instância investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conhecido como Lulinha, por suspeita de tráfico de influência e corrupção. Com isso, os inquéritos devem ser mantidos na Corte até a conclusão.
Interlocutores de Mendonça dizem que o mais provável é o ministro deixar tudo como está. Uma mudança no foro agora poderia prejudicar o andamento das investigações. Ainda de acordo com fontes próximas do relator, houve estranhamento em relação ao pedido da PGR porque, em julho, o órgão recomendou o sorteio de um terceiro inquérito sobre Lulinha entre ministros do STF.
Caso Mendonça resolva manter as investigações no tribunal, eventual recurso à decisão será julgado na Segunda Turma. Além de Mendonça, compõem o colegiado Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. Em votações criminais, o relator tem contado com o apoio de Fux e Nunes Marques, mas ainda não houve julgamento de temas relativos a Lulinha na turma.
Existem hoje três inquéritos tramitando no STF para investigar o filho do presidente. Dois primeiros que foram abertos estão no gabinete de Mendonça. Um terceiro está sob a relatoria de Flávio Dino. Interlocutores de Dino afirmam que, até o momento, não houve pedido da PGR para que o inquérito mais recente também seja transferido para a primeira instância.
Pessoas próximas de Mendonça desconfiaram do tratamento diferenciado e suspeitam que o verdadeiro interesse por trás do pedido seja retirar o caso das mãos do ministro. Hoje, existe um clima conflagrado entre Mendonça e parte da Polícia Federal, que realiza das investigações.
O primeiro inquérito contra Lulinha investiga se ele favoreceu a empresa do “Careca do INSS”, que atua com medicamentos derivados de cannabis, junto ao Ministério da Saúde. O segundo inquérito apura se o filho do presidente beneficiou uma empresa de tecnologia da informação junto à Dataprev. A terceira investigação atinga o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Segundo a PF, ele tinha ligação com Lulinha e a lobista Luchsinger.
(Com O Estado de S.Paulo)