Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ministro da Fazenda afirma que o governo federal tentará aprovar em setembro a medida provisória que acaba com a “taxa das blusinhas”

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nessa quarta-feira que o governo federal tentará aprovar no próximo esforço concentrado do Congresso Nacional a medida provisória que trata da retirada da “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais.

“Esforço concentrado” é uma semana de votações no Congresso em meio ao período em que os parlamentares estão de olho na campanha eleitoral. O próximo está previsto para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro e será presencial.

— O presidente Lula tratou disso ontem. O esforço do governo agora é mobilizar a base do Congresso Nacional para constituir a comissão mista da MP e aprovar o texto no próximo esforço concentrado. É nisso que o governo vai colocar seus esforços na próxima semana — afirmou, após participar do evento Fórum Saúde, organizado pelo Esfera Brasil e pela EMS, em Brasília.

No mesmo evento, o ministro disse ​que ⁠as ​taxas de ⁠juros de ​longo prazo pagas pelo Tesouro ‌Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito ‌altas, ​algo inaceitável e ‌que precisa ser solucionado.

Durigan disse também que o tarifaço já é uma espécie de interferência dos EUA nas eleições brasileiras. Segundo o ministro, a expectativa é de que, depois do pleito, seja retomada a “racionalidade” no debate, uma vez que não faz sentido do ponto de vista econômico essa sanção ao Brasil, um país que tem déficit ante os americanos e cujas exportações são complementares em relação à produção dos EUA.

— Eu tenho esperança que, passadas as eleições, como o argumento de interferência eleitoral diminui, a gente possa colocar de novo a racionalidade no centro do debate. — disse. — Ter uma espécie de sanção que não está ajudando a economia dos EUA não me parece fazer sentido, ainda que questões pontuais devam ser tratadas com respeito.

O governo tem pressa para aprovar uma medida provisória que tramita no Congresso e acaba com a cobrança da taxa. O tema gerou prejuízos à imagem da gestão petista e dividiu alas do governo federal quando a cobrança foi criada, em 2024. Diante da avaliação que ela poderia gerar danos eleitorais a Lula, a MP foi editada neste ano para acabar com a cobrança. Ela perde validade no dia 8 de setembro, menos de um mês do primeiro turno.

O tema, no entanto, precisa ser analisado numa comissão mista (formada por deputados e senadores) antes de seguir para votação nos plenários da Câmara e do Senado. Na semana passada, a articulação política de Lula no Congresso definiu que uma das prioridades seria instalar essa comissão mista, aproveitando o esforço concentrado, quando foram realizadas sessões de votação nas duas Casas.

A comissão mista foi instalada, mas a falta de acordo entre os parlamentares adiou a escolha de quem ocuparia os postos de destaque da relatoria e presidência do colegiado. A expectativa é que isso ocorra no próximo dia 1º. Neste caso, a presidência ficará com um deputado e a relatoria, com um senador.

O prazo apertado preocupa o governo, que teme que a oposição e parlamentares contrários à medida deixem a MP caducar como forma de provocar um desgaste eleitoral para Lula, pouco antes das eleições. Há uma atuação, por exemplo, de representantes de setores como o varejo junto a autoridades do Congresso para evitar que a medida prospere. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniu com um grupo desses empresários em julho para tratar da proposta. Com informações do portal O Globo.

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