Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de agosto de 2026
O dólar fechou em queda de 0,87% nesta quarta-feira (19), cotado a R$ 5,1761. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 0,90%, aos 167.830 pontos. A alta interrompeu uma sequência de 11 sessões consecutivas de perdas do índice.
Com o resultado do dia, o dólar passou a acumular queda de 0,83% na semana. No mês, entretanto, a moeda ainda registra alta de 2,10%. No ano, a variação acumulada é de queda de 5,70%.
O Ibovespa, por sua vez, passou a acumular alta de 0,54% na semana. Em agosto, o índice ainda registra queda de 5,71%, enquanto no acumulado de 2026 apresenta alta de 4,16%.
No mercado externo, os investidores acompanharam a valorização do petróleo em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de uma nova escalada do conflito voltou a colocar no radar os riscos para o fornecimento mundial de energia e para a inflação.
O barril do Brent, referência internacional, subiu 0,48%, a US$ 91,46. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 0,80%, a US$ 85,62.
A alta do petróleo ganhou força após o jornal britânico Financial Times informar que o Irã avalia a possibilidade de atacar instalações militares dos Estados Unidos na Europa caso o conflito entre os dois países volte a se intensificar. Entre os possíveis alvos estaria a base aérea búlgara de Bezmer, utilizada por aeronaves do Exército norte-americano para reabastecimento.
Outra instalação mencionada seria uma base aérea britânica no Chipre, que já teria sido alvo de um ataque de drone iraniano em março. Segundo o jornal, autoridades iranianas também avaliam a possibilidade de atingir cabos submarinos de fibra óptica na região do Estreito de Ormuz.
O estreito é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. Antes do início da guerra, cerca de 20% do comércio global da commodity passava pela região. Qualquer interrupção da navegação poderia afetar a oferta de energia e elevar os preços internacionais.
A possibilidade de novos ataques ocorre após uma escalada nas declarações entre Washington e Teerã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre o Irã e também fez ameaças relacionadas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano, por sua vez, afirmou que poderá adotar uma postura mais ofensiva caso as negociações para encerrar o conflito fracassem.
O mercado financeiro também acompanhou a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O documento mostrou preocupação de parte dos dirigentes com a trajetória da inflação americana. Vários integrantes do colegiado indicaram que uma eventual alta dos juros poderá ser necessária caso a inflação não avance em direção à meta de 2%.
A sinalização do Fed influenciou os mercados porque juros mais elevados nos Estados Unidos tendem a aumentar a atratividade dos ativos norte-americanos e podem afetar o fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil.
No cenário doméstico, as atenções permaneceram voltadas para as discussões fiscais e para o ambiente eleitoral. Entre os assuntos acompanhados pelos investidores está o avanço, no Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
A proposta também passou a ser observada pelo mercado por seus possíveis impactos sobre as contas públicas e sobre os custos das empresas. O tema ganhou espaço nas discussões políticas em meio à preparação para as eleições de 2026.
Além das questões fiscais e eleitorais, a saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira continua sendo monitorada pelos investidores. O movimento contribuiu para a pressão sobre o Ibovespa nas últimas sessões, que acumulou 11 quedas consecutivas antes da recuperação desta quarta-feira.
A combinação entre petróleo mais caro, incertezas sobre a política monetária norte-americana e questões fiscais e eleitorais brasileiras mantém os mercados atentos aos próximos desdobramentos internos e externos.