Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas e citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao falar sobre a importância estratégica da área para o Brasil. A declaração ocorreu em meio ao anúncio da Petrobras sobre a identificação de hidrocarbonetos em um poço exploratório na costa do Amapá.
A Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O local está em águas profundas, com lâmina d’água de aproximadamente 2.886 metros, e faz parte da chamada Margem Equatorial brasileira.
A estatal informou que a identificação ocorreu por meio de perfis elétricos e da análise de indícios encontrados nas rochas. A perfuração e os estudos continuam para determinar as características do reservatório.
A descoberta ainda não significa que o Brasil tenha confirmado a existência de uma reserva comercialmente viável. A Petrobras precisa realizar novas avaliações para determinar o volume de petróleo e gás e verificar se a exploração poderá ser realizada em escala comercial.
Durante as discussões sobre a exploração da Margem Equatorial, Lula já havia mencionado Trump ao defender que o Brasil avance na pesquisa da região. Em maio, o presidente afirmou que o país deveria ocupar e explorar a área antes que o norte-americano pudesse reivindicar a região.
“Daqui a pouco o Trump acha que é dele e vai lá”, afirmou Lula na ocasião. O presidente citou as declarações de Trump sobre Canadá, Groenlândia e outras áreas para justificar a necessidade de o Brasil preservar sua soberania sobre a Margem Equatorial.
A região tem sido alvo de uma disputa dentro do próprio governo federal. De um lado, o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras defendem a ampliação das pesquisas e destacam o potencial de novas reservas para a segurança energética brasileira. De outro, órgãos ambientais e entidades da sociedade civil alertam para os riscos associados à exploração de petróleo em uma área de elevada sensibilidade ambiental.
A Petrobras considera a Margem Equatorial uma nova fronteira exploratória. A região se estende do litoral do Rio Grande do Norte até o Amapá e apresenta características geológicas semelhantes às áreas produtoras de petróleo da Guiana e do Suriname.
A identificação de hidrocarbonetos no poço do Amapá foi recebida por Lula como um sinal positivo para as perspectivas energéticas do país. O presidente afirmou que a exploração deverá ocorrer com responsabilidade ambiental e voltou a defender que eventuais recursos provenientes da atividade possam ajudar a financiar investimentos no Brasil.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também ressaltou que ainda é necessário concluir os estudos para determinar o tamanho e a viabilidade da descoberta.
A região da Foz do Amazonas concentra manguezais, áreas protegidas e sistemas de recifes de coral. Por isso, a possibilidade de exploração petrolífera vem sendo acompanhada por ambientalistas, que questionam os riscos de acidentes e os impactos sobre os ecossistemas.