Terça-feira, 04 de agosto de 2026

Morando na Espanha, Lulinha promete voltar ao Brasil se for chamado à depor no escândalo da fraude bilionária do INSS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que retorne ao Brasil para depor nos dois inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) para investigar suposto tráfico de influência em licitações e compras governamentais. Segundo duas pessoas próximas à família, tanto para a defesa jurídica do filho, quanto, principalmente, para a campanha de reeleição do pai, é melhor enfrentar o desgaste ainda em agosto do que arrastar o caso até outubro. Dois interlocutores de Lula disseram que o presidente está seguro da inocência do filho pelas negativas veementes e pelo fato de o sigilo bancário de Lulinha ter sido quebrado em janeiro e, até agora, nada de irregular ter sido vazado.

Lulinha nega todas as acusações. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, o presidente disse que “se for culpado, ele vai ter que pagar como todo mundo”. Lulinha vive na Espanha. As datas dos depoimentos ainda serão marcadas.

Na semana passada, o ministro do STF André Mendonça autorizou dois inquéritos contra Lulinha. No primeiro, ele é suspeito de atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde. Preso desde setembro de 2025, Antunes é acusado de comandar 22 empresas que fraudaram as contas de aposentados e pensionistas com descontos ilegais num escândalo que supera os R$ 6 bilhões.

Em um segundo inquérito, o filho do presidente é suspeito de ter feito lobby para uma empresa de tecnologia de Cleber Ribas de Oliveira, prestadora de serviços da Dataprev, responsável pela base de dados do INSS. Segundo a PF, Oliveira é sócio oculto de Antunes.

Investigadores da Polícia Federal suspeitam que Antunes contratou uma amiga de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger, para obter contratos públicos. A intenção real de Antunes, segundo uma das linhas de apuração da PF, seria usar os contratos públicos para esconder os ganhos com a fraude no INSS. O plano, portanto, não seria lucrar, mas lavar o dinheiro roubado dos aposentados do INSS.

Em termos estritamente eleitorais, a questão mais delicada das apurações é descobrir se Lulinha sabia que o dinheiro que Antunes prometia investir era resultado da fraude contra os aposentados.

Em termos criminais, a PF vai centrar suas investigações em Luchsinger. Ela recebeu R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil de Antunes por “serviços de consultoria”. Em depoimento à PF, ela afirmou que apresentou o filho do presidente a Antunes antes de qualquer suspeita sobre as fraudes e que rompeu relações após a deflagração do escândalo.

É fato que Lulinha trabalhava com Luchsinger e que viajou com despesas pagas pelo Careca para Portugal em 2024 para conhecer a produção de medicamentos feitos com canabidiol. Antunes pretendia aproveitar uma decisão do STJ e convencer o Ministério da Saúde a contratar sua empresa como fornecedora exclusiva de remédios a base de canabidiol no SUS.

O lobista esteve no Ministério da Saúde em novembro de 2024 e foi recebido pelo então secretário-executivo Swedenberger Barbosa, amigo de longa data da família Lula. O contrato nunca foi firmado. Atualmente, Swedenberger Barbosa é o número dois do gabinete do presidente Lula. No seu pedido de inquérito ao STF, a PF usou a mudança de cargo do assessor para afirmar que a investigação tratava de pessoa com “grande influência” no gabinete presidencial.

A abertura dos dois inquéritos coroa uma crise sem precedentes na relação entre STF e PF. Como revelou a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, o gabinete do ministro André Mendonça estranhou a demora de diligências e mudanças na equipe responsável pela investigação de Lulinha. Segundo a colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, Mendonça foi informado de que depoimentos já colhidos e os relatórios periódicos sobre o andamento das investigações não estariam sendo juntados aos autos. O ministro do STF determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, obedeça às ordens de envio de informações sob risco de ser processado por obstrução de Justiça. (Com informações do colunista Thomas Traumann, do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Polícia Federal pede ao Supremo abertura de uma terceira investigação contra Lulinha
Lulinha aponta vazamento de dados à campanha de Flávio Bolsonaro e pede investigação da Polícia Federal
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play